Movimento cívico pioneiro enfrenta resistência do eleitorado em Moçambique

Movimento cívico pioneiro enfrenta resistência do eleitorado em Moçambique

O primeiro movimento cívico a ter lugar numa assembleia municipal em Moçambique tenta recuperar essa posição nas eleições de quarta-feira, mas está a ser difícil convencer os eleitores a votar num grupo de cidadãos.

“Nós não temos ninguém por cima de nós. Não somos um partido político, mas sim um grupo de cidadãos que querem dar voz aos que não têm voz”, disse à Lusa Philippe Gagnaux, cabeça-de-lista do movimento Juntos Pela Cidade (JPC).

O JPC surgiu em finais de 1997, um ano antes das primeiras eleições autárquicas de Moçambique, e foi uma ideia de Philippe Gagnaux e de Carlos Cardoso, jornalista moçambicano assassinado em 2000, quando investigava um presumível caso de corrupção.

“A ideia foi sempre a mesma: garantir que o município esteja nas mãos de uma pessoa que não tenha de responder a partidos políticos. Para nós, a verdadeira descentralização só acontecerá quando forem munícipes a serem eleitos e não os membros dos partidos”, declarou Philippe Gagnaux.

Desde o seu surgimento, o movimento esteve por três vezes representado na Assembleia Municipal de Maputo, com um total de 22 membros desde as primeiras eleições, mas nos últimos dois escrutínios perdeu esses eleitos.

“Um dos objetivos desta campanha é voltarmos a estar na Assembleia Municipal, porque somos o único grupo independente que está nesta luta desde o início”, frisou o candidato.

Contudo, a caça ao voto do JPC tem sido difícil.

Por um lado, há dificuldades financeiras para visitar os 62 bairros do município de Maputo e, por outro, a ideia de um movimento cívico a concorrer para um escrutínio ainda é estranha para os eleitores.

“As pessoas não estão acostumadas à ideia de um grupo como o JPC a concorrer para o município de Maputo. Também porque eu sou de origem suíça e acaba sendo uma surpresa para as pessoas. Mas elas lembram-se do meu pai”, observou.

Philippe Gagnaux, 58 anos, nasceu na Suíça e é filho de René Gagnaux, um médico e missionário suíço que ganhou notoriedade ao trabalhar em Moçambique de 1964 até ao seu assassinato, em 1990, durante a guerra civil.

Gagnaux, que é também médico, concorre pela terceira vez ao cargo de presidente do município de Maputo, num escrutínio em que terá de enfrentar três candidatos dos principais partidos políticos moçambicanos, nomeadamente o veterano Eneas Comiche, da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, o general Hermínio Morais, da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal força de oposição, e Augusto Mbazo, do Movimento Democrático de Moçambique (MDM).

Além do JPC, a Associação Juvenil para o Desenvolvimento de Moçambique (Ajudem), um grupo de cidadãos da sociedade civil que apoiava a candidatura independente de Samora Machel Júnior, tentou concorrer para o município de Maputo nas quintas eleições autárquicas do país, mas foi afastada pela Comissão Nacional de Eleições por irregularidades na lista de candidaturas.

As eleições autárquicas de Moçambique estão marcadas para 10 de outubro em 53 municípios do território moçambicano.

EYAC // PVJ

By Impala News / Lusa


RELACIONADOS

Movimento cívico pioneiro enfrenta resistência do eleitorado em Moçambique

O primeiro movimento cívico a ter lugar numa assembleia municipal em Moçambique tenta recuperar essa posição nas eleições de quarta-feira, mas está a ser difícil convencer os eleitores a votar num grupo de cidadãos.