Moçambique/Ataques: Violência vai a Conselho de Ministros da CPLP de quarta-feira

Os ataques e a violência em Cabo Delgado, Moçambique, serão um dos assuntos a debater no Conselho de Ministros de Negócios Estrangeiros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), na próxima quarta-feira, adiantou o secretário-executivo da organização.

Moçambique/Ataques: Violência vai a Conselho de Ministros da CPLP de quarta-feira

Moçambique/Ataques: Violência vai a Conselho de Ministros da CPLP de quarta-feira

Os ataques e a violência em Cabo Delgado, Moçambique, serão um dos assuntos a debater no Conselho de Ministros de Negócios Estrangeiros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), na próxima quarta-feira, adiantou o secretário-executivo da organização.

De acordo com o embaixador Francisco Ribeiro Telles, da XXV reunião dos chefes da diplomacia da CPLP, que decorrerá por videoconferência, poderá sair uma declaração “de condenação pelos ataques e também de solidariedade para com Moçambique”, um dos nove Estados-membros da comunidade lusófona.

“É evidente que qualquer Estado-membro da CPLP está à vontade para exprimir a sua preocupação pela situação dos ataques terroristas que correm na província de Cabo Delgado”, afirmou, por seu lado, o embaixador de Cabo Verde em Lisboa, país que tem a presidência rotativa da organização.

“Neste sentido manifestará toda a sua solidariedade às autoridades e ao Estado moçambicano, face às barbaridades que têm acontecido naquele território e expressará o desejo mais profundo que esta situação rapidamente se normalize e se possa restaurar a paz e a tranquilidade públicas”, acrescentou o embaixador Eurico Monteiro.

Esta deverá ser, assim, a primeira vez que a CPLP se pronunciará publica e formalmente sobre os ataques e a violência, que afetam há anos a província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique.

Porém, a organização tem atuado do ponto de vista político diplomático, até junto de organizações internacionais, como as Nações Unidas, por iniciativa própria, sem que tenha havido até agora um pedido formal de Moçambique nesse sentido, assegurou o secretário-executivo da CPLP.

“Nós temos discutido a questão de Moçambique, sobretudo ao nível do Centro de Análise Estratégica da CPLP, sediado em Maputo”, afirmou Francisco Ribeiro Telles em declarações à Lusa, referindo que ali houve vários debates sobre a situação no norte de Moçambique.

Com esses debates, a CPLP pretendeu identificar as causas da situação e definir a forma como se pode combater o problema de uma ameaça externa, explicou.

Até porque Cabo Delgado “é uma situação nova na comunidade internacional e daí a complexidade e dificuldade que as organizações internacionais têm em poder atuar”, considerou.

Ao mesmo tempo, a CPLP tem também procurado “sensibilizar a comunidade internacional para a situação horrível que se passa no norte de Moçambique”, adiantou o diplomata.

“A CPLP e eu temo-lo feito e a própria Presidência de Cabo Verde também”, frisou. “Sempre trabalhamos no campo político diplomático”, garantiu.

A título de exemplo, Ribeiro Telles referiu a sua participação numa recente reunião virtual, que o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, fez com várias organizações internacionais e em que a situação em Cabo Delgado foi discutida.

Nessa reunião, o próprio secretário geral das Nações Unidas “reconheceu a enorme complexidade da situação” e a dificuldade que a comunidade internacional, bem como as organizações regionais, têm para poder ajudar Moçambique “a capacitar-se internamente de forma a combater a ameaça”.

Na opinião do embaixador, a comunidade internacional ainda não tem instrumentos à sua disposição para poder atuar numa situação como esta.

Mas sendo a CPLP uma organização composta por nove Estados-membros, em que um dos quais é Moçambique, “é natural que possa vir a ter uma palavra a dizer sobre a situação”, realçou.

Por isso, é também natural que o assunto “seja debatido no próximo Conselho de Ministros”, concluiu.

Segundo Ribeiro Telles, os Estados-membros da organização já manifestaram a sua preocupação e a sua solidariedade para com Moçambique, mas “é evidente que a situação é de tal forma complexa que são necessários instrumentos de atuação que ultrapassam a própria capacidade de atuação da CPLP”.

“Há várias organizações internacionais que têm uma capacidade de intervenção ou de atuação muito maior do que a da própria CPLP”, como a União Europeia, onde a questão já foi colocada, ou a própria organização regional, SADC (Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral).

A violência armada em Cabo Delgado, norte de Moçambique, está a provocar uma crise humanitária com cerca de duas mil mortes e 500 mil pessoas deslocadas, sem habitação, nem alimentos, concentrando-se sobretudo na capital provincial, Pemba.

A província onde avança o maior investimento privado de África, para exploração de gás natural, está desde há três anos sob ataques de insurgentes e algumas das incursões passaram a ser reivindicadas pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico desde 2019.

A CPLP integra nove estados-membros, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

ATR // JH

By Impala News / Lusa

Impala Instagram


RELACIONADOS