Moçambique/Ataques: UE termina treino de duas primeiras companhias militares

As duas primeiras companhias moçambicanas de operações especiais formadas pela missão da União Europeia (UE) terminam o treino na segunda-feira, anunciou hoje o brigadeiro-general Nuno Lemos Pires do Exército português, comandante no terreno.

Moçambique/Ataques: UE termina treino de duas primeiras companhias militares

Moçambique/Ataques: UE termina treino de duas primeiras companhias militares

As duas primeiras companhias moçambicanas de operações especiais formadas pela missão da União Europeia (UE) terminam o treino na segunda-feira, anunciou hoje o brigadeiro-general Nuno Lemos Pires do Exército português, comandante no terreno.

Cada companhia, uma da Marinha, formada na Katembe (junto a Maputo), e outra do Exército, treinada no Chimoio (centro do país), conta com 130 elementos prontos a ir para o terreno, nomeadamente a enfrentar o terrorismo em Cabo Delgado, no norte do país.

Ao mesmo tempo, termina também a formação do primeiro grupo de seis controladores aerotáticos, que tanto podem vir a ser integrados em contingentes da Marinha como do Exército para operacionalizar o apoio aéreo a missões.

As explicações foram dadas aos jornalistas à margem da visita do Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, à base de treino no Chimoio.

A Missão de Formação da União Europeia (EUTM, sigla inglesa) arrancou oficialmente em novembro de 2021, tem uma duração prevista de dois anos, devendo acolher ao longo do período 140 militares formadores.

A missão responde ao pedido de ajuda do governo moçambicano para preparação de 1.100 oficiais, sargentos e soldados moçambicanos – seis companhias de operações especiais do exército e cinco de operações especiais da Marinha – para combater, em especial, em Cabo Delgado.

Destas 11 companhias, duas já foram mobilizadas para aquela província, tendo sido formadas mesmo antes do lançamento da EUTM, com treino realizado em 2021 no âmbito da cooperação bilateral de Defesa entre Portugal e Moçambique.

Cooperação que foi agora “robustecida” com esta missão da UE, referiu Lemos Pires.

A EUTM funciona em ciclos de quatro meses para cada companhia, e na qual estão empenhados, para já, 10 Estados-membros – sendo o maior contingente português (assim como comandante da missão no terreno).

O treino consiste em “treino operacional e militar, mas também tem focado muito a formação na área dos direitos humanos e direito internacional em conflitos”, realçou.

O Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, destacou hoje na base de treino do Chimoio a importância da formação, considerando que a vitória sobre o terrorismo na província nortenha de Cabo Delgado só será plena quando a vida se fizer sem limitações.

“A vitória total significa permitir que as populações possam desenvolver a sua atividade normalmente, não ficando condicionadas pela existência de terrorismo”, referiu, a propósito da região que vive uma grave crise humanitária, afetando cerca de 860.000 pessoas.

No sábado, durante a passagem pelo outro centro de treino da UETM, na Katembe, o Presidente da República afirmou que está em programação um hospital de campanha para apoio às tropas moçambicanas em Cabo Delgado, e que chegará em breve equipamento militar não letal já aprovado.

Questionado pelos jornalistas, o chefe de Estado português também já tinha dito na sexta-feira, em Maputo, que está disponível para visitar aquela província, caso o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, considere ser oportuno dirigir-lhe esse convite.

A região de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados num conflito que já terá feito, pelo menos, 3.100 mortes, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

Desde julho de 2021, uma ofensiva das tropas governamentais com o apoio do Ruanda a que se juntou depois a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) permitiu aumentar a segurança, recuperando várias zonas, mas a fuga de insurgentes tem provocado novos ataques nalguns distritos usados como passagem ou refúgio temporário.

LFO (IEL) // MAG

By Impala News / Lusa

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