Moçambique/Ataques: EUA querem ser parceiro preferido para derrotar rebeldes

Os EUA querem ser o parceiro preferido de Moçambique para derrotar os rebeldes em Cabo Delgado, norte do país, capacitando e equipando instituições da lei e ordem, disse hoje o coordenador para o contraterrorismo na administração norte-americana.

Moçambique/Ataques: EUA querem ser parceiro preferido para derrotar rebeldes

Moçambique/Ataques: EUA querem ser parceiro preferido para derrotar rebeldes

Os EUA querem ser o parceiro preferido de Moçambique para derrotar os rebeldes em Cabo Delgado, norte do país, capacitando e equipando instituições da lei e ordem, disse hoje o coordenador para o contraterrorismo na administração norte-americana.

“Nós queremos ser o parceiro preferido de Moçambique”, referiu Nathan Sales durante uma conferência de imprensa via telefone, depois de na última semana ter conversado com o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, numa deslocação a Maputo.

“A forma [eficaz] de lutar contra o terrorismo não é mandar mercenários” para o combate, “saqueando recursos naturais”, acrescentou, quando questionado se sente “concorrência” da China e Rússia na oferta de apoio a países africanos.

“Os EUA têm um histórico de combate ao terrorismo como mais nenhum país tem”, sublinhou, dizendo que “o que resulta é reforçar as capacidades de instituições que aplicam e executam a lei”, sejam instituições do governo ou da justiça, com autoridades que usam essas ferramentas para “proteger a população e retirar ameaças do campo de batalha”.

O apoio norte-americano consiste nesse treino para forças de investigação, procuradores e juízes, exemplificou.

“Não há uma solução pronta que se tire de uma prateleira, é algo personalizado, país a país” e não há soluções rápidas, disse, acrescentando que “se se quer fazer bem, tem de se fazer com os americanos”.

As capacidades que os Estados Unidos querem reforçar em Moçambique são do foro “civil” e poderão dar “resultados a longo prazo”, como a execução e reforço da lei, a agregação de informações, o uso de provas em tribunal para responsabilizar os autores de ataques e ações para impedir o acesso dos rebeldes às áreas afetadas.

Nesse sentido, para os EUA é importante implementar sistemas de segurança fronteiriça, controlo e segurança de portos, marinas e aeroportos.

Sales destacou a necessidade de haver trabalho transnacional e controlar fronteiras, numa alusão direta à ocorrência de ataques feitos pelos mesmos grupos em território da Tanzânia – do outro lado da linha de fronteira com Moçambique.

“Os insurgentes estão a alinhar-se com o Estado Islâmico (EI), independentemente da origem ou dos indivíduos que participam” nos ataques, “o que vemos hoje é uma afiliação com o EI, uma ligação à sua ideologia, táticas e procedimentos e à visão de um califado, de controlo territorial”, sublinhou.

“Moçambique precisa que os EUA disponibilizem a capacidade de derrotar a ameaça terrorista” e as conversações com o país lusófono “vão continuar” até que haja “um consenso sobre a parceria” que pode ser estabelecida.

Questionado pela Lusa, Nathan Sales escusou-se a detalhar um prazo, nomeadamente se a pareceria poderá arrancar em 2021, remetendo mais detalhes para quando haja um acordo delineado com Moçambique.

A violência armada em Cabo Delgado, norte de Moçambique, está a provocar uma crise humanitária com cerca de duas mil mortes e 500 mil pessoas deslocadas, sem habitação, nem alimentos, concentrando-se sobretudo na capital provincial, Pemba.

A província onde avança o maior investimento privado de África, liderado pela petrolífera francesa Total para exploração de gás natural, está desde há três anos sob ataque de insurgentes e algumas das incursões passaram a ser reivindicadas pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico desde 2019.

LFO/EYL // HB

Lusa/fim

By Impala News / Lusa

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