Moçambique/Ataques: Bispo de Pemba alerta para criação de “indústria do sofrimento” à custa das vítimas

O bispo António Juliasse Sandramo, administrador da diocese de Pemba, norte de Moçambique, alertou hoje para o perigo de criação de “uma indústria do sofrimento” que “dissipa” a ajuda humanitária, apelando para a canalização da ajuda aos necessitados.

Moçambique/Ataques: Bispo de Pemba alerta para criação de

Moçambique/Ataques: Bispo de Pemba alerta para criação de “indústria do sofrimento” à custa das vítimas

O bispo António Juliasse Sandramo, administrador da diocese de Pemba, norte de Moçambique, alertou hoje para o perigo de criação de “uma indústria do sofrimento” que “dissipa” a ajuda humanitária, apelando para a canalização da ajuda aos necessitados.

“Quando há situações de sofrimento, pode ser criada uma indústria do sofrimento, que se aproveita do sofrimento do povo”, afirmou Sandramo.

A indústria do sofrimento, prosseguiu, pode ser montada por organizações de apoio humanitário, através da instalação de estruturas de funcionamento pesadas e que pagam salários elevados aos seus trabalhadores.

Estas entidades podem canalizar mais recursos para a sua máquina do que para as populações em situação de necessidade, sustentou aquele bispo.

O administrador da diocese de Pemba avançou que a prioridade deve ser o apoio às vítimas da violência armada em Cabo Delgado, cuja capital é Pemba.

Por outro lado, a disponibilidade de bens para a ajuda humanitária também pode atrair a tentação de desvios, num país com níveis de corrupção endémicos, acrescentou.

“Este risco [de desvio de ajuda humanitária] existe, com os níveis que nós temos de corrupção em Moçambique, isso nos leva a que o risco se torne maior”, afirmou.

Sandramo assinalou que o país deve trabalhar para que “as ajudas que são anunciadas em nome dos deslocados de Cabo Delgado sejam verdadeiramente orientadas para minorar o sofrimento deste povo e nada mas do que isso”.

Grupos armados aterrorizam a província de Cabo Delgado desde 2017, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo Estado Islâmico. Há mais de 2.800 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED, e 732.000 deslocados, de acordo com as Nações Unidas.

 

RYCE // VM

By Impala News / Lusa

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