Moçambique vai levar ao Conselho de Segurança experiência na resolução de conflitos

Analistas disseram hoje à Lusa que uma eventual eleição de Moçambique para membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU vai permitir que o país leve àquele órgão a sua experiência na resolução de conflitos, através do diálogo. 

Moçambique vai levar ao Conselho de Segurança experiência na resolução de conflitos

Moçambique vai levar ao Conselho de Segurança experiência na resolução de conflitos

Analistas disseram hoje à Lusa que uma eventual eleição de Moçambique para membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU vai permitir que o país leve àquele órgão a sua experiência na resolução de conflitos, através do diálogo. 

“Temos um ganho de ser um país que sempre vive e viveu de conflitos, temos uma experiência acumulada também para partilhar com o mundo”, disse à Lusa o politólogo moçambicano João Pereira. 

Pereira assinalou que o país pode levar para o palco internacional a sua visão sobre a raiz das guerras no mundo, dado que tem conhecido vários conflitos ao longo da sua história. 

Por outro lado, prosseguiu, no Conselho de Segurança da ONU, será possível ampliar a voz em relação a vários temas que fazem parte da agenda global. 

“Os países africanos precisam de estar sempre nestes fóruns, como forma de colocar a voz na agenda global. Não podemos sempre delegar, temos de ser nós a fazer a nossa história”, destacou João Pereira, que é também docente na Universidade Eduardo Mondlane, a maior e mais antiga de Moçambique.  

Por seu turno, Francisco Carmona, editor executivo do semanário Savana, defendeu que a eleição de Moçambique para membro não permanente das Nações Unidas vai dar ao país a oportunidade de mostrar o diálogo como a caminho para a paz. 

“Moçambique terá de fazer de tudo no sentido de convencer os outros Estados-membros que o caminho para a paz e segurança internacional é o diálogo, num contexto em que a Europa do Leste está em guerra”, salientou Francisco Carmona. 

O jornalista apontou o aumento da reputação do país na comunidade internacional, observando que Maputo já “é bem visto”, a avaliar pelo apoio declarado pela União Africana (UA) à candidatura a membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. 

“O facto de Moçambique ter conseguido apoio de toda a União Africana é uma amostra de que somos bem vistos e respeitados. Expressa também que somos reconhecidos em matéria de paz e segurança internacional”, enfatizou. 

O diplomata e antigo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique Hipólito Patrício também defendeu que o país poderá contribuir para o reforço do papel das Nações Unidas como instrumento de paz e segurança mundiais. 

“A par da paz, para a estabilidade mundial, há que ter em conta os eventos extremos causados pelas mudanças climáticas. Sendo um país que sofre ciclicamente, vamos partilhar a experiência na gestão e mitigação dos impactos negativos dos desastres naturais”, afirmou Patrício, em entrevista ao semanário Domingo. 

Aquele diplomata referiu que o país vai levar igualmente as lições do combate ao “terrorismo” na província de Cabo Delgado, região norte. 

A ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique, Verónica Macamo, disse na segunda-feira que o país vai trabalhar na preservação da paz e segurança no mundo, durante o seu mandato, em caso de eventual eleição a membro não permanente do Conselho de Segurança. 

O Conselho de Segurança da ONU é composto por 15 membros, cinco permanentes e dez não permanentes. 

Moçambique vai tentar substituir o Quénia na vaga do representante africano. 

A eleição vai acontecer na quinta-feira na sede da ONU, em Nova Iorque. 

 

PMA // VM

By Impala News / Lusa

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