Ministro do Ambiente “não percebe” queixas de postos da REPA

A ANAREC afirmou na quarta-feira que está preocupada com o aumento dos custos e quebra de receitas dos seus associados devido à greve dos motoristas de matérias perigosas e de mercadorias.

Ministro do Ambiente

Ministro do Ambiente “não percebe” queixas de postos da REPA

A ANAREC afirmou na quarta-feira que está preocupada com o aumento dos custos e quebra de receitas dos seus associados devido à greve dos motoristas de matérias perigosas e de mercadorias.

Lisboa, 15 ago 2019 (Lusa) — O ministro do Ambiente disse hoje que não percebe as queixas dos responsáveis por postos de abastecimento que integram a Rede de Emergência de Postos de Abastecimento (REPA), lembrando que o país está a viver uma greve.

“Não consigo perceber qual é o prejuízo que poderão estar a ter quando comparado com o comum dos postos porque estamos em greve”, afirmou João Pedro Matos Fernandes, em conferência de imprensa realizada hoje na sede da Entidade Nacional para o Setor Energético, em Lisboa.

Em comunicado, a ANAREC indicou que tem vindo a monitorizar os efeitos da greve junto dos revendedores de combustíveis, líquidos e gasosos, tendo recebido queixas dos seus associados que integram a REPA.

Os constrangimentos dos associados afetam “em particular os que têm postos exclusivos e que só podem facultar os abastecimentos a entidades prioritárias”.

“Pertencer à rede REPA é a garantia que se tem abastecimento acima das garantias que podem ser dadas aos postos normais”, lembrou hoje o ministro, sublinhando que este não é um negócio igual aos outros.

“Estamos em greve e sendo esta uma necessidade evidente para o conjunto para o país, a lei deixa claro que quem tem um posto de combustível não tem um negócio completamente normal no sentido em que assume uma particular responsabilidade num setor vital”, argumentou.

Reiterando não entender as queixas, Matos Fernandes lembrou que as comparações dos responsáveis pelos postos de combustível não podem ser feitas com o que acontecia em 15 de agosto do ano passado.

“Se estão a comparar com o dia 15 de agosto do ano passado, em que não havia greve alguma, eventualmente estarão a vender menos combustível, mas parece-me que a comparação deve ser feita é com os restantes postos de abastecimento”, defendeu.

O ministro adiantou ainda que, hoje, os números da REPA “estão em linha com os de ontem [quarta-feira]”, estando os ‘stocks’ gerais em cerca de metade do total (51,3%).

Segundo a ANAREC, a maioria das empresas suas associadas com postos na REPA exclusivos para entidades prioritárias “têm relatado que estão, na sua maioria, com os depósitos cheios, e com vendas muito inferiores ao habitual”.

“De facto, estão impedidos de vender combustível ao público em geral, e referem que as entidades prioritárias também continuam a abastecer as suas viaturas noutros postos de abastecimento, inclusive fora da REPA”, acrescenta a associação.

A ANAREC considera os relatos dos associados “preocupantes”, porque os custos que têm para manter os postos em funcionamento mantêm-se iguais, ou até aumentaram, e as receitas são cada vez mais diminutas.

A requisição civil dos motoristas em greve visa assegurar o abastecimento da REPA, aeroportos, postos servidos pela refinaria de Sines e unidades autónomas de gás natural.

Portugal está, desde sábado e até às 23:59 de 21 de agosto, em situação de crise energética, decretada pelo Governo devido a esta greve, o que levou à constituição da REPA, com 54 postos prioritários e 320 de acesso público.

Enquanto durar a greve, os veículos ligeiros só podem abastecer no máximo 25 litros de combustível em postos que não pertencem à REPA e 15 litros nos postos da rede de emergência que não sejam exclusivos a transporte prioritário.

A greve foi convocada pelo Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) e pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM), com o objetivo de reivindicar junto da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram) o cumprimento do acordo assinado em maio, que prevê uma progressão salarial.

PMC (AG) // CSJ

By Impala News / Lusa

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