Ministro da Economia brasileiro diz que país gastou dez vezes mais com pensões do que educação

O ministro da Economia brasileiro, Paulo Guedes, afirmou hoje, na Câmara dos Deputados, que o Governo gastou o ano passado dez vezes mais com o pagamento de pensões do que com educação.

Ministro da Economia brasileiro diz que país gastou dez vezes mais com pensões do que educação

Ministro da Economia brasileiro diz que país gastou dez vezes mais com pensões do que educação

O ministro da Economia brasileiro, Paulo Guedes, afirmou hoje, na Câmara dos Deputados, que o Governo gastou o ano passado dez vezes mais com o pagamento de pensões do que com educação.

“No ano passado gastámos 700 mil milhões [cerca de 160 mil milhões de euros] com o sistema de pagamento de pensões, que é o nosso passado, e gastámos 70 mil milhões de reais [16 mil milhões de euros] com educação, que é o futuro. Gastámos dez vezes mais com a Previdência do que com o futuro, que é a educação. Antes de a população brasileira envelhecer, o sistema de pagamento de pensões está condenado”, declarou Paulo Guedes.

O governante esteve na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados para prestar esclarecimentos sobre a proposta de emenda à Constituição da reforma do sistema de pagamento de pensões.

O ministro afirmou ainda aos deputados que a “dimensão fiscal” do problema da reforma, ou seja, o seu impacto nas contas públicas, é “incontornável”.

Segundo Paulo Guedes, os problemas fiscais decorrentes do crescimento dos gastos com o pagamento de pensões estão a ser impostos aos governos locais, independentemente do partido.

“Seja o partido que for, independentemente de quem esteja no governo, esse problema está a ser imposto”, frisou, assinalando que a população brasileira é relativamente jovem e que, mesmo assim, as despesas com o pagamento de pensões já são elevadas.

O ministro da Economia do Brasil aludiu, ainda, sem precisar, ao sistema português.

“Existem sistemas que quebraram, a Grécia, e estamos a ver o exemplo de Portugal. Imaginamos como não deve estar o problema previdenciário na Venezuela hoje”, disse o ministro.

“Financiar a aposentaria do idoso desempregando trabalhadores é, na minha opinião, uma forma perversa de financiar o sistema. É, do ponto de vista social, uma condenação”, declarou, referindo-se ao sistema de aposentação do Brasil, assumindo que o sistema de redistribuição de pensões já “está financeiramente condenado”.

Paulo Guedes frisou, igualmente, que a carga tributária no Brasil é de 34% do Produto Interno Bruto e, mesmo assim, o país sul-americano “não consegue dar uma aposentadoria digna”, defendendo a implementação de um “imposto de renda negativo”, para pessoas carenciadas, ou seja, subsídio público que funciona como complemento para pessoas com baixos rendimentos.

O novo projeto para pagamento de pensões no Brasil, apresentado pelo novo executivo liderado por Jair Bolsonaro, tem como principal novidade o estabelecimento de uma idade mínima de aposentação de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens, com um período de transição de 12 anos para implementar definitivamente este modelo.

No entanto, até que haja uma aprovação, o texto terá de passar por um longo processo no Congresso, pois trata-se de uma emenda constitucional.

A iniciativa exigirá os votos de três quintos, tanto dos deputados como dos senadores, e em duas voltas.

MYMM // SR

By Impala News / Lusa

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