Ministro da Defesa termina périplo por África com militares portugueses no Mali

O ministro da Defesa está hoje a visitar o destacamento militar português no Mali, onde termina um périplo de 48 horas, depois de ter passado pela República Centro-Africana e por São Tomé e Príncipe.

Ministro da Defesa termina périplo por África com militares portugueses no Mali

Ministro da Defesa termina périplo por África com militares portugueses no Mali

O ministro da Defesa está hoje a visitar o destacamento militar português no Mali, onde termina um périplo de 48 horas, depois de ter passado pela República Centro-Africana e por São Tomé e Príncipe.

Nesta visita antes do Natal às missões militares portugueses presentes em três países africanos, João Gomes Cravinho tem estado acompanhado pelo chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, almirante António Silva Ribeiro.

A delegação portuguesa nestas visitas às tropas portuguesas deveria ter sido liderada pelo primeiro-ministro, mas António Costa foi forçado a cancelar a sua deslocação na quinta-feira, ficando em Lisboa em isolamento profilático preventivo da covid-19, na sequência do caso positivo do presidente francês, Emmanuel Macron, com quem tinha estado na quarta-feira em Paris.

O destacamento português no Mali é constituído por 65 militares, com um avião C-295, no âmbito da missão das Nações Unidas, e por 11 militares integrados na missão das União Europeia, a EUTM Mali.

A Força Nacional Destacada no Mali desde 01 de julho, no âmbito da MINUSMA (Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para Estabilização do Mali), tem como objetivo assegurar missões de transporte de passageiros e carga, transporte tático em pistas não preparadas, evacuações médicas, largada de paraquedistas, vigilância aérea e garantir a segurança do campo norueguês de Bifrost, em Bamaco.

De acordo com o Governo, o contingente português é responsável por missões fundamentais, tais como operações de evacuação e emergência médicas, a inserção de forças de operações especiais e missões de recolha de informação e reconhecimento, com a realização prevista de cerca de 100 horas de voo mensais.

Já a EUTM Mali foi lançada em fevereiro de 2013 e teve recentemente o seu mandato estendido até maio de 2024. A missão foi comandada pelo brigadeiro-general Boga Ribeiro durante o primeiro semestre de 2020, tendo mantido um contingente de 12 a 18 elementos na missão durante esse período.

“A presença portuguesa no Mali é essencial para o cumprimento dos frágeis acordos de paz assinados e para o reforço das capacidades do Estado Maliano”, considerou recentemente o ministro da Defesa.

João Gomes Cravinho salientou depois a importância da participação de tropas portuguesas no Mali, sobretudo, em termos consequências para a estabilização política e social da região do Sahel.

“Temos de olhar para a região do Sahel de uma forma integrada. As fronteiras pouco existem naquela região. E aquilo que se passa num país facilmente alastra para outros países”, sustentou o titular da pasta da Defesa.

Na mesma ocasião, João Gomes Cravinho referiu-se ainda ao impacto da missão MINUSMA, que, “embora seja dirigida essencialmente para o Mali, tem de ter em conta o que se passa nos países vizinhos, o Burkina Faso, o Níger e, particularmente, a confluência desses três países, local onde se juntam as fronteiras desses países, onde há atividade terrorista bastante intensa”.

“É particularmente importante porque estamos a falar dos vizinhos dos nossos vizinhos, estamos a falar de uma região que não é muito longe de Portugal. E se não houver um controlo naquela região, se as autoridades soberanas dos países daquela região não conseguirem controlar aquilo que ali se passa, facilmente a instabilidade poderá ter repercussões, designadamente em termos de terrorismo, nos países da Europa”, advertiu.

Em meados de agosto, houve um golpe de Estado desencadeado por militares do Mali e que foi concretizado ao fim de vários meses de protestos e agitação social na sequência de eleições.

Durante o último ano, no plano militar, os militares governamentais foram várias vezes vencidos por grupos islâmicos ligados ao autoproclamado Estado Islâmico e a grupos afiliados da al-Qaida, nomeadamente no norte do país, o que levou inclusivamente a uma reorganização das forças armadas para combater esta ameaça.

O Mali faz fronteira a Norte com a Argélia, a Oeste com a Mauritânia, o Senegal, a Gâmbia e a Guiné-Conacri, a Sul com a Costa do Marfim e o Burkina Faso, e a Leste com o Níger.

Com quase 20 milhões de habitantes, mais de 60% dos quais com menos de 25 anos, este país francófono é o oitavo em área no continente africano.

PMF // PA

Lusa/Fim

By Impala News / Lusa

Impala Instagram


RELACIONADOS