Ministério das Finanças considera inadequados os prémios de gestão aos administradores do Novo Banco

As Finanças consideram inadequado o pagamento de prémios aos administradores do Novo Banco e disseram acreditar que o Fundo de Resolução irá descontar esse valor na chamada de capital.

Ministério das Finanças considera inadequados os prémios de gestão aos administradores do Novo Banco

Ministério das Finanças considera inadequados os prémios de gestão aos administradores do Novo Banco

As Finanças consideram inadequado o pagamento de prémios aos administradores do Novo Banco e disseram acreditar que o Fundo de Resolução irá descontar esse valor na chamada de capital.

Lisboa, 05 mai 2021 (Lusa) – As Finanças consideram inadequado o pagamento de prémios aos administradores do Novo Banco e disseram acreditar que o Fundo de Resolução irá descontar esse valor na chamada de capital, o que o Banco de Portugal já disse entretanto que acontecerá.

A Lusa questionou o Ministério das Finanças sobre os bónus de 1,86 milhões de euros a pagar aos membros do Conselho de Administração executivo do Novo Banco, referentes ao ano de 2020, tendo o gabinete liderado por João Leão considerado que “não é adequada a prática de atribuição de prémios de gestão do Novo Banco”.

O Ministério das Finanças afirmou ainda que “acredita que o Fundo de Resolução atuará em conformidade com as decisões tomadas no ano anterior no contexto da verificação dos pressupostos inerentes ao cumprimento dos compromissos contratuais existentes”.

O Novo Banco divulgou na terça-feira à noite o relatório e contas de 2020, através da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), documento em que é dito que o banco vai atribuir bónus aos gestores referente a 2020 de 1,86 milhões de euros. O pagamento do prémio será diferido para 2022, após concluída a reestruturação do banco.

Já hoje, na apresentação do Boletim Económico de maio, o governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, disse que tanto o Banco de Portugal como o Fundo de Resolução são “contrários” ao pagamento de prémios à gestão do Novo banco e afirmou que o valor será “deduzido” à chamada de capital que o Fundo de Resolução pagará este ano.

No ano passado, o Fundo de Resolução descontou ao valor pago ao Novo Banco a remuneração variável dos gestores, tendo por isso pago 1.035 milhões de euros em vez dos 1.037 milhões de euros pedidos pelo banco.

O Novo Banco foi criado em agosto de 2014 na resolução do Banco Espírito Santo (BES). Em 2017, aquando da venda de 75% do banco à Lone Star, foi criado um mecanismo de capitalização contingente, pelo qual o Fundo de Resolução se comprometeu a, até 2026, cobrir perdas com ativos ‘tóxicos’ com que o Novo Banco ficou do BES até 3.890 milhões de euros.

O Novo Banco já consumiu 2.976 milhões de euros de dinheiro público e, pelo contrato, pode ir buscar mais 914 milhões de euros.

O Novo Banco teve prejuízos de 1.329,3 milhões de euros em 2020, um agravamento face aos 1.058,8 milhões registados em 2019. Já quanto ao valor a pedir ao Fundo de Resolução, o Novo Banco indicou que serão 598,3 milhões de euros.

Esta semana, após ser divulgada a auditoria do Tribunal de Contas ao Novo Banco, o vice-governador do Banco de Portugal, Luís Máximo dos Santos (que é também o presidente do Fundo de Resolução), disse que a nova injeção de capital ainda não está “totalmente definida” e que está a ser trabalhada com várias entidades, como o Ministério das Finanças.

Máximo dos Santos disse ainda que o fundo “não tem fundos suficientes para cumprir as suas obrigações” por ter sido constituído em 2012 e as contribuições serem reduzidas.

Uma das conclusões da auditoria do Tribunal de Contas (TdC) foi de que o Fundo de Resolução está a cobrir défices de capital da atividade do Novo Banco e não apenas os resultantes dos ativos do Acordo de Capitalização Contingente.

IM (LT/JE) // EA

By Impala News / Lusa

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