Milhares de pesssoas em protestos nos aeroportos dos EUA contra medida de imigração de Trump

Milhares de pesssoas em protestos nos aeroportos dos EUA contra medida de imigração de Trump

Milhares de pessoas protestaram no sábado nos principais aeroportos norte-americanos contra a nova política de imigração aprovada na sexta-feira pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.

Nova Iorque, 29 jan (Lusa) — Milhares de pessoas protestaram no sábado nos principais aeroportos norte-americanos contra a nova política de imigração aprovada na sexta-feira pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.


No aeroporto John F. Kennedy (JFK) em Nova Iorque, cerca de 2.000 manifestantes gritaram “Deixem-nos entrar, deixem-nos entrar!”.


Grandes protestos tiveram também lugar nos principais aeroportos de Washington, Chicago, Mineápolis, Denver, Los Angeles, São Francisco e Dallas, segundo a agência France Presse.


Numa ordem executiva assinada na sexta-feira, Donald Trump suspendeu a entrada de refugiados nos Estados Unidos por pelo menos 120 dias e impôs um controlo mais severo aos viajantes oriundos do Irão, Iraque, Líbia, Somália, Síria e Iémen durante os próximos três meses.


A entrada em vigor da medida na sexta-feira à noite apanhou de surpresa as pessoas que já estavam no avião e prontas para seguir viagem.


Os defensores dos imigrantes conseguiram entretanto uma primeira vitória no sábado à noite, com a decisão da juíza Ann M. Donnelly, do Tribunal do Distrito Federal de Brooklyn (Nova Iorque).


A decisão de Donnelly de fazer uma suspensão temporária da ordem aconteceu depois de dezenas de passageiros — entre 100 e 200, de acordo com o New York Times — terem sido detidos ao chegarem aos aeroportos nos EUA e ameaçados de expulsão.


A decisão vai no sentido de as autoridades norte-americanas não procederem a nenhuma deportação de cidadãos dos sete países de maioria muçulmana visados pelo decreto de Trump — Irão, Iraque, Iémen, Somália, Líbia, Síria, Sudão — que foram autorizados a entrar e chegaram aos EUA.


Várias associações, incluindo a União das Liberdades Civis na América (ACLU), tinham desafiado na justiça na manhã de sábado a nova medida de Donald Trump sobre “a proteção da nação contra a entrada de terroristas estrangeiros nos Estados Unidos”.


As associações consideram a medida discriminatória e anticonstitucional uma vez que se aplica aos cidadãos com os documentos em dia. Elas invocam a quinta emenda, alegando que as questões relacionadas com os documentos não podem ser decididas arbitrariamente pelo governo e necessitam de uma decisão da justiça.


A decisão da juíza Donnelly, que não se pronunciou sobre a constitucionalidade da medida, não resolveu, todavia, toda a questão, reconheceu o advogado da ACLU Lee Gelernt, ao invocar uma nova audição para fevereiro.


“O importante esta noite era que ninguém fosse colocado (de volta) num avião”, disse Gelernt à saída do tribunal.


Igualmente indicou que a juíza tinha ordenado ao governo comunicar a lista de todas as pessoas detidas nos aeroportos norte-americanos desde sexta-feira. Isso deverá permitir às associações poderem mobilizar-se por todos os visados, precisou.


Outro juiz federal da Virgínia anunciou uma decisão semelhante, desta vez visando os passageiros detidos no aeroporto de Dulles, perto de Washington, segundo o diário The Charlotte Observer.


A mobilização de associações começou após a detenção de dois iraquianos na noite de sábado no aeroporto JFK em Nova Iorque, que estavam ligados ao governo norte-americano no Iraque e possuem vistos de viagem válidos.


No sábado de manhã, assim que a queixa foi interposta na justiça, e depois que Donald Trump afirmou que a aplicação do decreto “estava a correr muito bem”, várias associações convocaram manifestações nos aeroportos do país.


Milhares de pessoas responderam à convocatória, enquanto outros saudavam as detenções nas redes sociais, ilustrando a divisão do país.


No JFK, dois representantes democratas de Nova Iorque no Congresso, Jerry Nadler e Nydia Velasquez, juntaram-se aos manifestantes e negociaram, ao longo de todo o dia, com a polícia do aeroporto.


Estes conseguiram a libertação de um dos iraquianos que trabalhava para empresas dos EUA e para o consulado norte-americano de Erbil, no curdistão iraquiano, Hameed Khalid Darweesh, que saiu do aeroporto sob o apoio dos manifestantes que gritavam palavras de ordem como “Bem-vindo” ou “Os muçulmanos são bem-vindos”.


Estas mobilizações e primeira decisão na justiça deixam antever um longo braço de ferro entre os defensores dos imigrantes e a administração de Trump.


“Esta é a primeira etapa numa longa batalha nos tribunais”, disse Michael Kagan, especialista em lei de imigração na Universidade de Nevada.


“Estamos a preparar-nos para uma guerra de trincheiras jurídica desde a eleição”, acrescentou.


Para este jurista, o rumo desta batalha perante os tribunais é incerto uma vez que “não tem precedentes na história recente norte-americana”.


Tudo depende da atitude dos juízes, podendo seguir até ao Tribunal Supremo, que não se pronuncia sobre questões de imigração deste tipo desde a lei sobre a exclusão dos chineses (Chinese Exclusion Act) adotada em 1882, incluindo daqueles que residiam legalmente nos Estados Unidos e tiveram de retornar temporariamente ao seu país de origem.



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By Impala News / Lusa


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