Migrações: Moscovo considera inaceitável que Polónia recorra à força e admite ajudar Minsk

A Rússia considerou hoje “inaceitável” o uso de canhões de água e gás lacrimogéneo pela Polónia para repelir migrantes na fronteira com a Bielorrússia e admitiu realizar ações conjuntas para defender as fronteiras russas e bielorrussas.

Migrações: Moscovo considera inaceitável que Polónia recorra à força e admite ajudar Minsk

Migrações: Moscovo considera inaceitável que Polónia recorra à força e admite ajudar Minsk

A Rússia considerou hoje “inaceitável” o uso de canhões de água e gás lacrimogéneo pela Polónia para repelir migrantes na fronteira com a Bielorrússia e admitiu realizar ações conjuntas para defender as fronteiras russas e bielorrussas.

“O comportamento do lado polaco é absolutamente inaceitável”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, em conferência de imprensa.

As forças polacas “estão a violar todas as normas jurídicas”, sublinhou Lavrov, referindo-se ao facto de “terem sido disparados gás lacrimogéneo e canhões de água sobre as cabeças dos migrantes e em direção a um Estado, a Bielorrússia”.

As declarações de Lavrov foram feitas pouco depois de uma conversa telefónica entre o Presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, e o seu homólogo russo (e reconhecido aliado), Vladimir Putin.

Os dois chefes de Estado falaram, de acordo com informações da agência oficial bielorrussa Belta, sobre a situação na fronteira e abordaram a possibilidade de serem realizadas “ações conjuntas para a defesa das fronteiras da União Estatal (Rússia e Bielorrússia)”.

“Como é sabido, estamos a fazer tudo para ajudar a resolver esta crise. Vários representantes de países da União Europeia (UE), incluindo da França e da Alemanha, dirigiram-se ao Presidente Putin e pediram ajuda. Estamos prontos para isso”, referiu o chefe da diplomacia russa na mesma conferência de imprensa.

O primeiro passo para a resolução da crise, ressaltou, é abrir “o diálogo direto entre o Governo da Bielorrússia e a UE”.

E classificou como uma boa notícia o facto da chanceler alemã cessante, Angela Merkel, e o Presidente Lukashenko terem “finalmente conversado”.

“Pelo que entendi – naturalmente, não sei os detalhes — ambos acordaram em continuar os contactos para encontrar soluções”, adiantou Lavrov.

O líder bielorrusso disse hoje que propôs a Merkel uma forma de resolver a crise migratória e que ela pediu para discutir o assunto com os membros da UE e, posteriormente, conversarem novamente.

O ministro russo expressou esperança de que “o bom senso prevaleça no lado polaco da fronteira” e descreveu como “uma violação de todas as normas humanitárias imagináveis” as ações de militares polacos que hoje repeliram um grupo de migrantes na fronteira com canhões de água, gás lacrimogéneo e granadas atordoantes.

Cerca de 2.000 pessoas concentradas na zona da fronteira entre a Bielorrússia e a Polónia foram hoje dispersas e afastadas por militares polacos, tendo Varsóvia acusa os migrantes de “atacar” os soldados com pedras e de tentar “destruir a cerca para entrar na Polónia”.

A UE, que testemunhou na segunda metade da década de 2010 um fluxo migratório sem precedentes, acusa as autoridades bielorrussas de terem orquestrado a atual crise como forma de retaliação pelas sanções ocidentais adotadas devido à repressão política observada naquela antiga república soviética.

O Presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, tem respondido, por seu lado, com críticas ao comportamento europeu e nega qualquer responsabilidade pela crise.

PMC // SCA

By Impala News / Lusa

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