Merkel tenta acalmar receios de Kiev sobre gasoduto russo que contorna a Ucrânia

A Alemanha e a União Europeia estão dispostas a impor novas sanções à Rússia se o gasoduto Nord-Stream 2 for usado como “arma geopolítica”, disse hoje a chanceler alemã em Kiev, após ouvir críticas do Presidente ucraniano.

Merkel tenta acalmar receios de Kiev sobre gasoduto russo que contorna a Ucrânia

Merkel tenta acalmar receios de Kiev sobre gasoduto russo que contorna a Ucrânia

A Alemanha e a União Europeia estão dispostas a impor novas sanções à Rússia se o gasoduto Nord-Stream 2 for usado como “arma geopolítica”, disse hoje a chanceler alemã em Kiev, após ouvir críticas do Presidente ucraniano.

Falando ao lado de Angela Merkel, após um encontro em Kiev, Volodimir Zelenski reafirmou as críticas ao projeto para transportar gás russo para a Alemanha através do mar Báltico.

O gasoduto deverá entrar em funcionamento este ano e permitirá contornar a Ucrânia no transporte do gás russo, o que representa perdas financeiras significativas para Kiev.

“Olhamos para este projeto apenas na perspetiva da segurança e consideramo-lo uma arma geopolítica perigosa do Kremlin”, disse Zelensky na conferência de imprensa conjunta com Merkel.

Na resposta, Merkel disse que a Alemanha concorda com a posição dos Estados Unidos de que o gasoduto “não deve ser utilizado como arma”.

Disse também que o acordo alcançado com os Estados Unidos em julho, para evitar a oposição de Washington ao projeto, prevê a imposição de sanções a Moscovo.

“Levamos as preocupações da Ucrânia muito a sério e discuti-as em Moscovo com o Presidente russo”, disse Merkel, que se encontrou com Vladimir Putin na sexta-feira passada.

“Nós, na Alemanha, na Europa, imporemos novas sanções se a Rússia utilizar este gasoduto como arma”, assegurou.

Em fase final de construção, o gasoduto Nord-Stream 2 passa por áreas marítimas da Finlândia, Suécia, Dinamarca e da Alemanha, antes de alcançar a costa alemã, numa extensão de cerca de 1.200 quilómetros.

O gasoduto permitirá a Moscovo duplicar as entregas de gás natural na Europa, em especial na Alemanha, para 55 mil milhões de metros cúbicos anuais.

O projeto está orçado em 11 mil milhões de dólares (9,4 mil milhões de euros).

O gasoduto está a ser construído pela companhia estatal russa Gazprom, mas tem como investidores financeiros a francesa Engie, a austríaca OMV, a britânica Shell e as alemãs Uniper e Wintershall DEA.

Para impedir que a Rússia “use a energia como uma arma” contra países vizinhos como a Ucrânia e a Polónia, o acordo com Washington prevê possíveis sanções a Moscovo.

O acordo estabelece igualmente que Estados Unidos e Alemanha preparem a prorrogação por 10 anos do contrato sobre o trânsito do gás russo por território ucraniano.

“Ninguém pode negar que os principais riscos com a conclusão do Nord-Stream 2 recairão sobre a Ucrânia”, insistiu Volodymyr Zelensky.

O Presidente da Ucrânia acrescentou que o gasoduto será também perigoso para “toda a Europa”.

Merkel disse ter pedido a Vladimir Putin, na sexta-feira, a prorrogação do “contrato para o trânsito do gás russo através da Ucrânia”, que termina em 2014.

“No final, ver-se-á se o contrato é renovado. Quanto mais cedo, melhor”, acrescentou a chanceler alemã, que deixa o cargo no outono.

Perante a afirmação de Zelensky de que até agora só tinha ouvido “coisas muito gerais” sobre a prorrogação do contrato de trânsito, Merkel respondeu que os compromissos para viabilizar o projeto, incluindo eventuais sanções contra Moscovo, vinculam futuros governos alemães.

A Ucrânia, um aliado ocidental, tem sido palco de uma guerra separatista pró-russa no Leste desde 2014, desencadeada pela anexação da Crimeia por Moscovo.

Embora as autoridades ucranianas se mostrem gratas a Merkel pelo apoio contra Moscovo na questão da Crimeia, criticam-na por excluir a questão do gás do âmbito das sanções europeias e insistir na construção do gasoduto.

A este respeito, Merkel anunciou que o seu ministro da Energia, Peter Altmeier, visitará Kiev na segunda-feira, para participar na cimeira da Plataforma da Crimeia e discutir com o seu homólogo ucraniano a questão do Nord-Stream 2.

PNG (SCA/ANC) // ROC

By Impala News / Lusa

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