Merkel acha explicações bielorrussas para sequestro de voo “implausíveis”

A chanceler alemã, Angela Merkel, considerou hoje que as explicações bielorrussas para a aterragem forçada de um voo da Ryanair são “completamente implausíveis”, apelando à libertação “imediata” do jornalista bielorrusso Roman Protasevich e da sua namorada Sofia Sapega.

Merkel acha explicações bielorrussas para sequestro de voo

Merkel acha explicações bielorrussas para sequestro de voo “implausíveis”

A chanceler alemã, Angela Merkel, considerou hoje que as explicações bielorrussas para a aterragem forçada de um voo da Ryanair são “completamente implausíveis”, apelando à libertação “imediata” do jornalista bielorrusso Roman Protasevich e da sua namorada Sofia Sapega.

“Assistimos a uma aterragem forçada que levou à detenção de um opositor bielorrusso, Roman Protasevich, (…) que deve ser libertado imediatamente. Todas as explicações para a aterragem do avião da Ryanair são completamente implausíveis”, afirmou a chanceler alemã. Angela Merkel falava à entrada para a cimeira do Conselho Europeu, que decorre hoje e na terça-feira, e onde os chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE) irão discutir, além da situação pandémica e das relações com a Rússia, as atuais tensões com a Bielorrússia.

O debate surge após, no domingo, o Presidente do país, Alexander Lukashenko, ter ordenado o desvio de um voo da companhia aérea irlandesa RyanAir, que viajava de Atenas para Vílnius, fazendo-o aterrar no aeroporto de Minsk, e onde se encontrava o jornalista Roman Protasevich, que ficou detido na capital bielorrussa. Qualificando o incidente em questão como sendo “sem precedentes”, Merkel voltou a instar as autoridades bielorrussas a libertarem não só Roman Protasevich, como também a sua namorada, Sofia Sapega, igualmente retida em Minsk.

“Discutiremos as medidas que podemos tomar contra a Bielorrússia, através de uma resposta europeia consistente, que irá certamente incluir outra lista [de sanções] – o presidente Lukashenko já se encontra nas listas –, mas que incluirá a questão da recusa de voos da companhia aérea bielorrussa e, claro, uma investigação internacional”, apontou a chanceler alemã. O voo 4978 Atenas-Vilnius da Ryanair foi forçado a aterrar na capital da Bielorrússia, Minsk, no domingo por ordem das autoridades desse país, com o argumento de que estava a ser alvo de uma ameaça de bomba.

A aeronave, escoltada por um caça Mig-29, pousou no aeroporto de Minsk, onde Roman Protasevich, jornalista e ex-editor do canal de redes sociais Nexta Live, e a sua namorada, a russa Sofia Sapega, de 23 anos, estudante da Universidade Europeia de Vílnius, foram detidos sob acusação de atividades “extremistas” contra o regime de Lukashenko e obrigados a sair do avião.

O canal de redes sociais Nexta Live desempenhou um papel importante na coordenação dos protestos em massa que se seguiram à polémica eleição presidencial na Bielorrússia, no ano passado, e publicou recentemente um documentário acerca da fortuna pessoal de Lukashenko. Segundo o opositor bielorrusso, Pavel Latushka, além de Protasevich e a namorada, outros quatro passageiros de nacionalidade russa saíram do avião, que depois aterrou em Vilnius com mais de oito horas de atraso na rota planeada.

No dia 30 de março, a líder da oposição exilada na Lituânia, Svetlana Tikhanovskaia, foi convidada a participar numa sessão do Senado polaco, na qual pediu a intervenção das Nações Unidas (ONU), União Europeia (UE), Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) e dos países da região “o mais rápido possível, aqui e agora” para “acabar com a impunidade” do regime de Lukashenko.

A Bielorrússia atravessa uma crise política desde as eleições de 9 de agosto de 2020, que segundo os resultados oficiais reconduziram o Presidente, Alexander Lukashenko, no poder há mais de duas décadas, para um sexto mandato, com 80% dos votos. A oposição denunciou a eleição como fraudulenta e reivindicou a vitória nas presidenciais. Desde então, o país testemunhou uma vaga de protestos populares para exigir o afastamento de Lukashenko, manifestações conduzidas pela oposição que têm sido reprimidas com violência pelas forças de segurança da Bielorrússia.

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