Médicos, enfermeiros e professores em greve no Zimbabué por melhores salários

Médicos, enfermeiros e professores entraram hoje em greve no Zimbabué para protestar contra as suas baixas renumerações, no meio de uma nova crise financeira do país.

Médicos, enfermeiros e professores em greve no Zimbabué por melhores salários

Médicos, enfermeiros e professores em greve no Zimbabué por melhores salários

Médicos, enfermeiros e professores entraram hoje em greve no Zimbabué para protestar contra as suas baixas renumerações, no meio de uma nova crise financeira do país.

Os trabalhadores da saúde reuniram-se com cartazes fora dos escritórios do Conselho dos Serviços de Saúde, num dos maiores hospitais do país.

A polícia de choque estava estacionada nos terrenos do hospital, enquanto os pacientes eram deixados sem vigilância nos corredores ou no exterior.

“Os trabalhadores da saúde são mal pagos. Eles estão a lutar para conseguir pagar as contas”, disse Tapiwanashe Kusotera, líder do sindicato do setor da saúde.

Os enfermeiros no Zimbabué ganham 18.000 dólares zimbabueanos (52 euros) por mês. Os professores ganham cerca de 75 dólares (71 euros) por mês.

“O nosso Conselho dos Serviços de Saúde, que é o nosso empregador, e o Ministério da Saúde recusaram-se totalmente a falar com os empregados”, disse o chefe da Associação Nacional de Enfermeiros, Enock Dongo.

O Governo indicou na semana passada que iria duplicar os salários de todos os funcionários públicos, mas Dongo disse que não tinha sido feita qualquer oferta formal.

Os professores apelaram hoje a uma greve de cinco dias, de acordo com uma declaração de um sindicato de professores.

“Não podemos continuar a ser uma vergonha para a nossa comunidade devido à pobreza que o Governo considera como parte da nossa vida profissional”, escreveu.

A economia do Zimbabué está em profunda crise, incluindo uma retirada de doadores internacionais devido a uma dívida insustentável.

A invasão da Ucrânia agravou a situação, já que a Rússia é o principal fornecedor de trigo e de produtos químicos utilizados na agricultura do Zimbabué.

A inflação atingiu 131% em maio, reavivando memórias de hiperinflação, há mais de uma década. Os preços estavam fora de controlo e o banco central emitiu uma nota de 100 triliões de dólares em 2008, que desde então se tornou um artigo de coleção.

Na altura, o Governo abandonou a sua moeda local para o dólar americano e o rand sul-africano, como moedas oficiais. Mas em 2019 o dólar zimbabueano foi reintroduzido, recuperando rapidamente o seu valor.

O Zimbabué, o antigo celeiro da África Austral, tem lutado durante as duas últimas décadas numa crise económica interminável, nascida do despejo forçado de agricultores brancos, numa reforma agrária contestada e agravada por uma corrupção generalizada.

SMM // VM

By Impala News / Lusa

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