Marrocos: “Hoje escolhemos o caminho da paz”, diz MNE israelita em visita ao país

O ministro dos Negócios Estrangeiros israelita salientou hoje em Rabat que, com o reatamento das relações diplomáticas com Marrocos, ambos os países escolhem “o caminho da paz”.

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Marrocos: “Hoje escolhemos o caminho da paz”, diz MNE israelita em visita ao país

O ministro dos Negócios Estrangeiros israelita salientou hoje em Rabat que, com o reatamento das relações diplomáticas com Marrocos, ambos os países escolhem “o caminho da paz”.

Rabat, 11 ago 2021 (Lusa) — O ministro dos Negócios Estrangeiros israelita salientou hoje em Rabat que, com o reatamento das relações diplomáticas com Marrocos, ambos os países escolhem “o caminho da paz” e ensinar às gerações vindouras “lições sobre o poder da esperança”.

Foi esta a mensagem que Yair Lapid transmitiu durante a sua visita a Marrocos, numa declaração conjunta com o seu homólogo marroquino, Nasser Burita, que defendeu que se “reconstrua a confiança” entre palestinianos e israelitas e se retomem as negociações, recordando a posição de Marrocos, que apoia a solução da coexistência de dois Estados.

Lapid mostrou-se satisfeito com o caminho percorrido em dezembro, pela mão dos Estados Unidos, para recuperar as relações entre os dois países, cortadas há 20 anos.

Durante o primeiro dia da sua visita ao país magrebino, que ele mesmo classificou como “histórica” e que sela a reconciliação dos dois países, os dois ministros assinaram três acordos de cooperação em matéria diplomática, aeronáutica e cultural.

“Hoje não estamos a ser bons políticos, estamos a ser bons pais, fazendo do mundo um sítio mais seguro para os nossos filhos”, disse Lapid, recordando os cerca de 700.000 israelitas com origem marroquina que agora viajarão para Marrocos graças aos novos voos diretos, não para fazer turismo, mas para procurar as suas origens, frisou.

Para o MNE israelita, “algo está a acontecer na região, as pessoas e os líderes olham para a Líbia, a Síria e o Líbano e dizem para si mesmos: Isto não é o que queremos para os nossos filhos, para nós”.

Por seu lado, o chefe da diplomacia marroquino afirmou que a relação com Israel mudou porque a componente hebraica “está na identidade marroquina” e recordou também os judeus marroquinos que viveram e continuam a viver no país.

Burita referiu que o restabelecimento das relações entre os dois países aconteceu graças a uma “forte vontade e convicção” do Rei Mohammed VI, para quem Lapid teve também palavras de agradecimento.

Os representantes máximos da diplomacia de Marrocos e Israel fizeram esta declaração sem perguntas no Ministério dos Negócios Estrangeiros marroquino após uma reunião bilateral e a assinatura dos três acordos já referidos.

Antes, Lapid depositou flores no mausoléu de Mohammed V, em Rabat – onde estão sepultados o avô de Mohammed VI e também o seu pai, Hassan II — e expressou, na sua conta da rede social Twitter, o seu “profundo agradecimento” ao atual monarca por continuar o legado do seu pai e do seu avô aprofundando as “relações de paz entre os dois países”.

Classificando naquela rede social a sua visita como “histórica”, Lapid também agradeceu aos monarcas do país por apoiarem “os judeus marroquinos ao longo da história” e pela “contribuição do Reino de Marrocos para a paz e a estabilidade na região”.

Antes de deixar o país, na quinta-feira, Lapid vai abrir uma representação diplomática de Israel em Rabat e deverá ainda visitar a sinagoga Beth-El, em Casablanca.

Marrocos foi o quarto país árabe — depois dos Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Sudão — a normalizar as relações com Israel em 2020, impulsionado pelos Estados Unidos de Donald Trump e tendo como contrapartida o reconhecimento norte-americano da sua “soberania” sobre o território disputado do Saara Ocidental.

Esta primeira visita oficial acontece cerca de duas semanas depois do lançamento dos primeiros voos comerciais diretos entre os dois países.

Os palestinianos consideraram os acordos de normalização entre Israel e os países árabes “uma traição”, dado que até então a resolução do conflito israelo-palestiniano era vista como condição prévia para qualquer reconhecimento do Estado hebreu.

Em Marrocos, a causa palestiniana continua a mobilizar a sociedade civil, alguns partidos da extrema-esquerda e islamitas, que mantêm a oposição à normalização das relações.

ANC (PAL) // EL

By Impala News / Lusa

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