Mali: Parlamento Europeu condena “mudanças inconstitucionais” e apela a diálogo

O PE condenou as “mudanças inconstitucionais” no Mali, após o golpe militar da passada terça-feira, apelando ao diálogo e a uma “solução consensual” para a crise política no país.

Mali: Parlamento Europeu condena

Mali: Parlamento Europeu condena “mudanças inconstitucionais” e apela a diálogo

O PE condenou as “mudanças inconstitucionais” no Mali, após o golpe militar da passada terça-feira, apelando ao diálogo e a uma “solução consensual” para a crise política no país.

“O Parlamento Europeu condena as mudanças inconstitucionais no Mali. É necessário diálogo e uma solução consensual para esta crise”, defendeu o presidente da assembleia europeia, David Sassoli, numa publicação na rede social Twitter.

Reagindo ao golpe de Estado que levou à demissão do Presidente do Mali, Ibrahim Boubacar Keita, no poder desde 2013, David Sassoli sublinhou que “a restauração do Estado de Direito no Mali deve ser uma prioridade”.

Na quarta-feira, os líderes da União Europeia (UE) manifestaram-se “extremamente preocupados” com o golpe militar no Mali, que pode “desestabilizar toda a região”, e reclamam o regresso ao Estado de Direito, afirmou o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.

Na conferência de imprensa que se seguiu a uma cimeira extraordinária por videoconferência dos líderes da UE, consagrada sobretudo à crise na Bielorrússia, Charles Michel indicou que os chefes de Estado e de Governo dos 27 abordaram também os recentes desenvolvimentos no Mali, palco na terça-feira de um golpe liderado por militares.

“Os acontecimentos no Mali são extremamente preocupantes e podem ter um impacto desestabilizador em toda a região e na luta contra o terrorismo”, advertiu Charles Michel, que deu conta do apelo dos 27 com vista à “libertação imediata dos prisioneiros e ao regresso ao Estado de direito”.

Charles Michel defendeu que a União Europeia deve “prosseguir a cooperação estreita com a CEDEAO”, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, que tem promovido um diálogo entre Governo e manifestantes, “e outras organizações africanas, em busca de uma solução que vá ao encontro das aspirações do povo do Mali”.

Ainda na terça-feira, numa primeira reação europeia à situação no Mali, o alto representante da União Europeia para a Política Externa, Josep Borrell, condenou a tentativa de golpe de Estado em curso, sublinhando que a UE “rejeita qualquer mudança anticonstitucional”.

“Esta não pode de forma alguma ser uma resposta à profunda crise sociopolítica que afeta há muitos meses o Mali”, escreveu o chefe da diplomacia europeia na sua conta oficial na rede social Twitter.

O Presidente do Mali, Ibrahim Boubacar Keita, anunciou a demissão na madrugada na quarta-feira, horas depois de ter sido afastado do poder num golpe liderado por militares, após meses de protestos e agitação social.

A ação dos militares já foi condenada pelas Nações Unidas, União Africana, CEDEAO e União Europeia.

Portugal tem no Mali 74 militares integrados em missões da ONU e da UE.

Antigo primeiro-ministro (1994-2000), Ibrahim Boubacar Keita, 75 anos, foi eleito chefe de Estado em 2013, e renovou o mandato de cinco anos em 2018.

ANE (ACC) // JH

By Impala News / Lusa

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