Mais de 500 polícias municipais em Lisboa exigem melhores salários

Mais de cinco centenas de polícias municipais de todo o país manifestaram-se hoje em Lisboa, dia em que cumprem uma greve de 24 horas, em protesto para exigir melhores salários e a regulamentação da carreira.

Mais de 500 polícias municipais em Lisboa exigem melhores salários

Mais de 500 polícias municipais em Lisboa exigem melhores salários

Mais de cinco centenas de polícias municipais de todo o país manifestaram-se hoje em Lisboa, dia em que cumprem uma greve de 24 horas, em protesto para exigir melhores salários e a regulamentação da carreira.

Vestidos com T-shirts pretas, em sinal de luto, e munidos de apitos, os polícias municipais foram fazendo barulho ao longo dos 40 minutos que demoraram a fazer o percurso entre o Largo de Santos, onde partiram, e a residência oficial do primeiro-ministro, em São Bento, onde terminou o protesto. À passagem pela Assembleia da República, a comitiva parou durante uns minutos e gritou palavras de ordem, dirigindo-se ao primeiro-ministro: “Costa escuta, a polícia municipal está em luta”, ou “exigimos respeito, exigimos reconhecimento”.

Atrás do caixão a encabeçar a manifestação, que representava a “marcha meio fúnebre” em que os polícias municipais se encontram, de acordo com o vice-presidente do Sindicato Nacional das Polícias Municipais (SNPM), Marco Santos, surgia uma tarja preta com as principais reivindicações. “Regulamentação do estatuto e carreira especial. Atualização do índice salarial compatível com as funções. Idade da reforma antecipada. Estatuto de profissão de desgaste rápido. Fim à desigualdade entre PMS de Lisboa e Porto. Definição do estabelecimento de formação da carreira de polícia municipal”, lia-se na tarja.

De acordo com Pedro Oliveira, presidente do SNPM, as cerca de “cinco ou seis centenas de polícias de todo o país” que estiveram hoje em Lisboa manifestaram-se contra a “atitude discriminatória e a machadada final” que consideram que o Governo deu na polícia municipal, ao aumentar os funcionários públicos, nomeadamente os assistentes técnicos, deixando de fora os “agentes de segunda classe”. “[Estes] que venciam pelo mesmo valor ficaram para trás em cerca de menos 47 euros. Temos agentes a trabalhar com o ordenado mínimo o que é insustentável, não podemos permitir e continuar”, frisou. Fontes da PSP no local estimaram à Lusa a presença de entre 400 a 500 manifestantes.

Segundo Pedro Oliveira, os polícias municipais são “polícias administrativas com competências criminais e competências em segurança”, além de competências na segurança dos cidadãos, no espaço público, edifícios e de fiscalização geral. O responsável adiantou ainda que o grupo quer que o Governo reconheça que “falhou e errou ao aumentar os funcionários públicos, nomeadamente os assistentes técnicos, deixando para trás os agentes das polícias municipais que, neste momento, recebem menos que o pessoal das secretarias”.

Os polícias municipais exigem ainda uma “ronda de negociações urgente”, com vista à negociação do estatuto da carreira, do regime disciplinar e do sistema de avaliação da carreira, que não é revisto desde 2009, trazendo “graves prejuízos”. Hoje, no final do protesto, uma delegação entregou um documento com as suas reivindicações na residência oficial do primeiro-ministro. Os polícias municipais cumprem também hoje uma greve de 24 horas, cuja adesão, às 09:30, rondava os 90%, estando mais de 20 esquadras encerradas, segundo disse à agência Lusa o presidente do SNPM, Pedro Oliveira.

De acordo com o sindicalista, os agentes sentem-se “desrespeitados e menosprezados”, uma vez que “a sua carreira profissional não está a ser valorizada”, com os profissionais a auferir “um salário que dista apenas sete euros do ordenado mínimo nacional”. “É a polícia mais barata que existe. Não existe na Europa polícia que ganhe menos e que tenha menos respeito por parte da entidade patronal, administração pública. Isto em termos de inflação, agora, torna-se totalmente insuportável”, alertou. Atualmente, existem cerca de 900 agentes das polícias municipais, a trabalhar em 37 autarquias do país. No dia 03 de outubro, o SNPM será recebido pelo secretário de Estado da Administração Local, Carlos Miguel.

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