Maioria dos taxistas despreocupados com impacto dos novos passes em Lisboa

A diminuição do preço dos passes de transporte em Lisboa, a partir de segunda-feira, não assusta a maior parte do setor do táxi, que se mostra, com exceção de uma associação, despreocupado quanto ao impacto no negócio.

Maioria dos taxistas despreocupados com impacto dos novos passes em Lisboa

Maioria dos taxistas despreocupados com impacto dos novos passes em Lisboa

A diminuição do preço dos passes de transporte em Lisboa, a partir de segunda-feira, não assusta a maior parte do setor do táxi, que se mostra, com exceção de uma associação, despreocupado quanto ao impacto no negócio.

A diminuição do preço dos passes de transporte em Lisboa, a partir de segunda-feira, não assusta a maior parte do setor do táxi, que se mostra, com exceção de uma associação, despreocupado quanto ao impacto no negócio.

O presidente da Federação Portuguesa do Táxi (FPT), Carlos Ramos, não acredita que a introdução dos novos passes Navegante, mais baratos e mais atrativos, «vá ter um impacto». O presidente da Associação Nacional de Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL), Florêncio Almeida, entende também que os passes «não afetam nada», podendo, «pelo contrário, trazer vantagens para o setor dos táxis».

«É previsível que haja alguma alteração porque vai haver mais gente a deixar o carro em casa (por terem comprado passe de forma a ficar mais económico) e, eventualmente, em alguma situação, podem ter de apanhar um táxi», disse à Lusa Carlos Ramos, uma opinião partilhada por Florêncio Almeida.

Ambos os representantes das associações consideram que o impacto desta medida não é comparável ao do impacto causado pela introdução das plataformas eletrónicas de transporte de passageiros em veículos descaracterizados (TVDE), cuja atividade tem sido fortemente contestada pela FPT e pela ANTRAL.

APMobi considera que redução dos preços dos passes vai afetar o setor

Pelo contrário, Pedro Pinto, membro fundador da recém-criada Associação Portuguesa para a Mobilidade (APMobi), crê que, «se nada for feito para tornar os preços dos táxis mais competitivos, esta redução dos preços dos passes urbanos vai afetar de forma bastante significativa o setor, talvez até mais do que afetou a chegada das plataformas TVDE».

Apesar de os táxis terem um «papel cada vez mais preponderante em curtas distâncias e como complemento a outros serviços de transportes públicos», o representante reconhece que o setor «continua estagnado e com regras que não são alteradas há décadas».

«Hoje em dia mobilidade significa flexibilidade (de preços, de fronteiras, de serviços) e se o setor dos táxis quer fazer parte desta nova mobilidade tem de mudar», concluiu.

Vítor Mendes, Elias Sambu e Nuno Hungria, taxistas na cidade de Lisboa ouvidos pela Lusa numa praça de táxis, consideram que o setor não sairá afetado depois do dia 01 de abril. Mais otimista está Nuno Hungria, para quem o aumento da compra do passe «leva as pessoas a deixar o carro em casa e, numa altura em que haja um imprevisto nos transportes ou atrasos, podem ter de recorrer aos táxis.»

Elias Sambu frisou que «a população vai continuar a andar de transportes públicos porque as necessidades de quem anda de táxi e de quem anda de transportes públicos são diferentes». O taxista apontou o exemplo da sua própria família, que «não apanha táxis e utiliza os passes, que muito ajudam, ainda mais agora».

A generalidade dos taxistas entrevistados pela Lusa mostrou-se despreocupada quanto a alguma alteração no setor dos táxis devido à descida do preço dos passes, acreditando que, caso aconteça, será de forma positiva.

Novo passe a partir de segunda-feira

A partir de segunda-feira, o novo passe Navegante Metropolitano custa no máximo 40 euros mensais por utente e permite viajar em todos os operadores de transportes públicos na Área Metropolitana de Lisboa (AML). São também criados 18 passes Navegante Municipal, um para cada dos 18 concelhos que integram a AML e, neste caso, permite apenas viajar no concelho para o qual foi adquirido por 30 euros.

As crianças até ao mês em que completam os 13 anos podem viajar gratuitamente em toda a AML com o cartão Lisboa Viva (no qual se carrega o passe) e são mantidos os atuais descontos para estudantes, reformados, pensionistas e carenciados, tendo como referência os novos preços.

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