Maior fabricante de armas do Brasil critica medida que facilita importação

A Taurus, maior fabricante de armas brasileira, criticou hoje a medida do Governo de Jair Bolsonaro que reduz a zero os impostos para importação de pistolas e revólveres no país, garantindo que dará prioridade aos investimentos no exterior.

Maior fabricante de armas do Brasil critica medida que facilita importação

Maior fabricante de armas do Brasil critica medida que facilita importação

A Taurus, maior fabricante de armas brasileira, criticou hoje a medida do Governo de Jair Bolsonaro que reduz a zero os impostos para importação de pistolas e revólveres no país, garantindo que dará prioridade aos investimentos no exterior.

“Infelizmente, essa medida vai acelerar o processo de priorização de investimentos nas nossas fábricas nos Estados Unidos e na Índia, em detrimento de investimentos que gerariam empregos e riqueza no Brasil”, indicou a fabricante, num comunicado enviado à Bolsa de Valores de São Paulo, onde as suas ações estão cotadas.

A Taurus, com fábricas no Brasil e nos Estados Unidos e com um projeto de construção de uma fábrica na Índia, exporta os seus produtos para cerca de 70 países e é uma das principais fornecedoras de armas importadas de curto alcance para o mercado norte-americano.

A empresa esclareceu que a decisão do Governo brasileiro de reduzir o custo da importação de pistolas e revólveres no Brasil não tem efeito significativo nas suas operações porque o mercado brasileiro representa apenas 15% das suas vendas e que a margem de lucro no país é inferior à gerada pelas exportações.

“Além disso, somos uma multinacional com fábrica nos Estados Unidos e com futura operação na Índia, pelo que a resolução nos dá as mesmas vantagens”, acrescentou a empresa, dando a entender que poderá sair mais barato para os brasileiros adquirirem uma arma Taurus importada do que comprada no país.

Segundo a Taurus, a empresa passou por uma forte reestruturação nos últimos três anos visando reduzir os seus custos operacionais, o que lhe permite, mesmo com a isenção tributária para armas importadas, oferecer no mercado brasileiro preços mais atrativos do que os seus concorrentes.

A empresa frisou que os seus esforços atuais são para atender os 1,1 milhões de encomendas de armas que recebeu dos Estados Unidos e que equivalem a oito meses de vendas.

A medida que reduz os impostos de importação de pistolas e revólveres dos atuais 20% para zero foi anunciada hoje pelo chefe de Estado, Jair Bolsonaro, defensor de longa data da flexibilização das normas para posse e porte de armas no Brasil.

O Presidente de extrema-direita comemorou, numa mensagem nas suas redes sociais, a decisão aprovada no dia anterior pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) do Governo e publicada hoje em Diário Oficial da União.

“A Camex publicou uma resolução que reduz a zero a alíquota do Imposto de Importação de Armas (revólveres e pistolas). A medida entra em vigor em 01 de janeiro de 2021”, disse o capitão da reserva do Exército Brasileiro, na sua mensagem, publicando ainda uma fotografia sua com uma arma na mão.

Desde o início do mandato, em janeiro de 2019, Bolsonaro adotou diversas medidas para flexibilizar a posse e o porte de armas no Brasil, o que foi uma das suas principais promessas de campanha.

A flexibilidade começou a surtir efeito em junho de 2019, quando entraram em vigor vários decretos e uma lei que facilitam o acesso a armas e anulam vários pontos do Estatuto do Desarmamento, que o Brasil aprovou em 2003.

Segundo dados oficiais, nos primeiros oito meses deste ano, os brasileiros registaram 105 mil novas armas na Polícia Federal, número 59% superior ao do mesmo período de 2019.

MYMM // VM

By Impala News / Lusa

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