Líderes da União Europeia alertam Londres para respeitar acordo do Brexit

Os líderes da UE alertaram o Governo britânico que “ambos os lados” devem implementar o acordo do Brexit numa reunião com o primeiro-ministro britânico à margem da cimeira do G7.

Líderes da União Europeia alertam Londres para respeitar acordo do Brexit

Líderes da União Europeia alertam Londres para respeitar acordo do Brexit

Os líderes da UE alertaram o Governo britânico que “ambos os lados” devem implementar o acordo do Brexit numa reunião com o primeiro-ministro britânico à margem da cimeira do G7.

Londres, 12 jun 2021 (Lusa) – Os líderes da União Europeia (UE), Ursula von der Leyen e Charles Michel, alertaram hoje o Governo britânico que “ambos os lados” devem implementar o acordo do Brexit numa reunião com o primeiro-ministro britânico à margem da cimeira do G7.

A presidente da Comissão Europeia e o Presidente do Conselho Europeu reuniram-se esta manhã com Boris Johnson em Carbis Bay, na Cornualha, no sudoeste de Inglaterra. 

“O Acordo de Sexta-feira Santa e a paz na ilha da Irlanda são fundamentais. Negociámos um Protocolo que o preserva, assinado e ratificado pelo Reino Unido e UE. Queremos as melhores relações possíveis com o Reino Unido. Ambos os lados devem implementar o que combinamos. Há total unidade da UE nesta questão”, escreveram von der Leyen e Michel na rede social Twitter de forma idêntica. 

Em causa estão divergências sobre a aplicação do acordo na Irlanda do Norte, onde o Reino Unido tomou medidas unilaterais para mitigar o impacto da introdução de controlos aduaneiros na circulação de algumas mercadorias, como produtos alimentares frescos. 

Ao abrigo do acordo para a saída do Reino Unido da UE, a Irlanda do Norte manteve-se na prática no mercado único, pelo que os controlos alfandegários das mercadorias da Grã-Bretanha (Inglaterra, País de Gales e Escócia) para evitar uma fronteira física com a vizinha Irlanda. 

Uma fronteira aberta é uma das condições dos acordos de paz de 1998 que colocaram fim a décadas de violência sectária entre católicos, republicanos favoráveis à reunificação da ilha inteira, e protestantes, ‘unionistas’ que querem que o território permaneça sob a corona britânica. 

O primeiro-ministro britânico também se reuniu esta manhã com a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Emmanuel Macron. 

No decurso das conversações, o Presidente francês disse estar disposto a “restabelecer” a relação com os britânicos, disseram fontes do Eliseu.

Contudo, lembrou Johnson que este novo começo ficará dependente “do respeito dos britânicos pela palavra dada aos europeus e pelo quadro definido pelos acordos de Brexit”, acrescentaram as fontes.  

O jornal The Times noticiou na quinta-feira que a atual encarregada de negócios dos Estados Unidos em Londres, Yael Lempert, encontrou-se com o secretário de Estado para as Relações Europeias, David Frost, e acusou o Reino Unido de “inflamar” as tensões por causa de recusar impor os controlos aduaneiros. 

A Casa Branca disse, entretanto, que a notícia estava “errada”, mas não desmentiu o sucedido, que realçou o interesse especial na questão do presidente norte-americano Joe Biden, que tem ascendência irlandesa.

O prolongamento unilateral do período de carência de certos controlos alfandegários nos portos da Irlanda do Norte por seis meses, até 01 de outubro, levou a Comissão Europeia a levantar um processo de infração contra o Reino Unido em março.

Notícias de que o Governo britânico estará a considerar uma extensão do período de adaptação para carne refrigerada, que deveria terminar em 30 de junho, fez surgir na imprensa britânica a ameaça de uma “guerra de salsichas”.

A cimeira do G7 decorre na Cornualha, sudoeste de Inglaterra, entre sexta-feira e domingo, juntando presencialmente pela primeira vez em dois anos dirigentes dos países do G7 (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido) e da União Europeia. 

Sob a presidência rotativa do Reino Unido, para esta edição foram convidados o Secretário-geral da ONU, António Guterres, e os líderes da Austrália, África do Sul, Coréia do Sul e Índia, mas este último vai intervir por videoconferência.

BM (JDN) // MSF

By Impala News / Lusa

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