Líder dos liberais alemães pede desculpas no parlamento por crise política na Turíngia

O presidente dos liberais alemães (FDP) pediu desculpas no parlamento pela eleição de um membro daquele partido como líder regional da Turíngia com os votos da extrema-direita, situação que desencadeou uma crise política na Alemanha.

Líder dos liberais alemães pede desculpas no parlamento por crise política na Turíngia

Líder dos liberais alemães pede desculpas no parlamento por crise política na Turíngia

O presidente dos liberais alemães (FDP) pediu desculpas no parlamento pela eleição de um membro daquele partido como líder regional da Turíngia com os votos da extrema-direita, situação que desencadeou uma crise política na Alemanha.

“Estamos envergonhados porque permitimos que a Alternativa para a Alemanha (AfD, partido de extrema-direita) troçasse de nós e da democracia parlamentar, e peço desculpas por isso em nome dos liberais”, declarou o líder do Partido Liberal (FDP), Christian Lindner, durante um debate no Bundestag (parlamento alemão).

Christian Lindner admitiu a responsabilidade dos liberais nos danos causados pela eleição de Thomas Kemmerich como líder regional do Estado da Turíngia (leste da Alemanha), acrescentando que “Erfurt [capital da Turíngia] foi um erro”.

“Mas, vamos fazer tudo o que é possível para que tal não volte a acontecer”, concluiu.

Thomas Kemmerich, que no passado fim de semana demitiu-se do cargo “com efeitos imediatos”, foi eleito líder regional do Estado da Turíngia em 05 de fevereiro graças a uma concertação de votos inédita entre os representantes locais dos conservadores da União Democrática Cristã (CDU, força política da chanceler alemã, Angela Merkel) e os membros locais da AfD.

A eleição de Kemmerich gerou uma grande controvérsia na Alemanha, uma vez que a votação quebrou um tabu e provocou um autêntico sismo político naquele país, segundo caracterizou a imprensa internacional.

Foi a primeira vez na história da Alemanha pós II Guerra Mundial que um chefe de um governo regional foi eleito com o apoio da extrema-direita, bem como a primeira vez que fações moderadas e radicais votaram concertadas neste tipo de eleição.

A par da renúncia de Kemmerich, um membro do governo central alemão, que elogiou nas redes sociais a eleição do líder regional da Turíngia, foi afastado por Merkel.

A eleição da Turíngia também teve repercussões na liderança da CDU, com Annegret Kramp-Karrenbauer, que sucedeu a Merkel em dezembro de 2018, a anunciar esta semana a sua demissão.

Hoje, no parlamento, o secretário-geral da CDU, Paul Ziemiak, fez duros ataques à AfD, em especial ao líder do partido na Turíngia, Björn Höcke.

“Na AfD, muitos se questionam com que direito chamo nazi a Höcke. É muito simples, chamo-o nazi porque é um nazi e continuarei a chamá-lo assim”, afirmou.

Em nome da AfD, o copresidente do grupo parlamentar, Alexander Gauland, afirmou que a eleição de Kemmerich tinha sido uma coisa normal no contexto de uma democracia parlamentar, atacando Merkel por ter chegado a pedir a realização de um novo escrutínio.

O representante da extrema-direita comparou Merkel ao antigo líder da antiga República Democrática Alemã (RDA), Walter Ulbricht

“Ullbrich tentava dar pelo menos uma aparência democrática às coisas”, disse Alexander Gauland.

Já a copresidente do grupo parlamentar dos Verdes, Katrin Göring-Eckhardt, acusou a AfD de querer incendiar o país.

“Vocês não amam este país, querem incendiá-lo”, disse Katrin Göring-Eckhardt.

SCA // ANP

By Impala News / Lusa

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