Líder da oposição em Moçambique diz-se aberto para receber “inquietações” de grupo dissidente

O presidente da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), maior partido da oposição, disse hoje que está aberto para receber as inquietações de Mariano Nhongo, líder de grupo dissidente que contesta o acordo de paz.

Líder da oposição em Moçambique diz-se aberto para receber

Líder da oposição em Moçambique diz-se aberto para receber “inquietações” de grupo dissidente

O presidente da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), maior partido da oposição, disse hoje que está aberto para receber as inquietações de Mariano Nhongo, líder de grupo dissidente que contesta o acordo de paz.

“Se tem qualquer inquietação dentro da nossa organização, que traga, nós temos órgãos que podem solucionar aquilo que é a preocupação dele”, disse Ossufo Momade, durante uma mesa-redonda sobre “Paz e Reconciliação Nacional: Lições, Desafios e Perspetivas”, realizada hoje em Maputo.

O grupo liderado por Nhongo, antigo dirigente de guerrilha, exige renegociação do acordo de Paz e Reconciliação e a demissão do atual presidente do partido, Ossufo Momade, sendo acusado de protagonizar ataques armados no centro de Moçambique.

Nhongo acusa Ossufo Momade de ter desvirtuado o processo negocial em relação aos ideais do seu antecessor, Afonso Dhlakama, líder histórico da Renamo que morreu em maio de 2018.

Para Ossufo Momade, o grupo liderado por Nhongo, autoproclamado Junta Militar da Renamo, deve “voltar à razão” e juntar-se ao processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR), no âmbito do acordo assinado em agosto com o Governo moçambicano.

“Nós gostaríamos que a Junta Militar se juntasse a nós para que tivesse a mesma sorte [que dos outros membros do partido]: ser desmobilizado e integrado na polícia moçambicana. Queremos que todos possam beneficiar desse processo”, disse Ossufo Momade.

O líder dissidente quer que seja realizado um novo congresso da Renamo para eleição de um novo presidente do partido, mas Ossufo Momade diz que não pode convocar um congresso para “atender a uma ambição”.

“Hoje, temos o Nhongo [a defender um novo congresso], amanhã vamos ter outro que vai precisar que se realize outro congresso. Vamos ter quantos congressos num ano”, questionou o líder da oposição.

Os ataques da autoproclamada Junta Militar da Renamo têm afetado estradas e povoações de Manica e Sofala, tendo provocado a morte de, pelo menos, 30 pessoas na região desde agosto do último ano.

No último mês, o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, decretou uma trégua na perseguição das Forças de Defesa e Segurança (FDS) à Junta Militar da Renamo durante sete dias, mas tentativas de aproximação para um diálogo fracassaram, com as duas partes a trocarem acusações.

A mesa redonda de hoje insere-se num ciclo de debates, organizados pelo Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD, na sigla inglesa), que assinalam o 30.º aniversário da introdução da primeira Constituição multipartidária em Moçambique.

LYN // VM

By Impala News / Lusa

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