Legislativas são “referendo entre neoliberalismo e solidariedade”, diz Mélenchon

O líder da coligação de esquerda francesa NUPES, Jean-Luc Mélenchon, defendeu hoje que a segunda volta das eleições legislativas, marcadas para domingo no país, é um “referendo entre o neoliberalismo de Macron e a solidariedade da NUPES”.

Legislativas são

Legislativas são “referendo entre neoliberalismo e solidariedade”, diz Mélenchon

O líder da coligação de esquerda francesa NUPES, Jean-Luc Mélenchon, defendeu hoje que a segunda volta das eleições legislativas, marcadas para domingo no país, é um “referendo entre o neoliberalismo de Macron e a solidariedade da NUPES”.

“Estas pessoas vivem num mundo que nunca mais existirá: o neoliberalismo entrou em falência! As suas receitas já não podem ser aplicadas, é um regime perigoso, porque é incapaz de corrigir os erros que comete porque, quando comete erros, enriquece com esses erros”, declarou Jean-Luc Mélenchon.

O líder da esquerda discursava na sala Jean Mermoz, em Toulouse, naquele que foi o seu primeiro comício desde a primeira volta das eleições legislativas, onde a Nova União Popular Ecológica e Social (NUPES), que lidera, obteve 25,66% dos votos, a apenas 21.441 votos da coligação do Presidente atual Emmanuel Macron.

Numa sala repleta, com várias centenas de pessoas sentadas e de pé, nos corredores laterais, Mélenchon defendeu que Macron “despreza” os seus apoiantes, abordando a deslocação de dois dias que o Presidente francês iniciou hoje à Roménia e à Moldávia.

“Quando o barco começa a afundar, o senhor Macron apanha o avião. (…) Está a desprezar-nos! Eles já tinham planeado esta viagem há muito! [Macron] deve ter pensado ‘estas eleições legislativas, são só uma formalidade administrativa'”, salientou.

Com um pano roxo com dois V de vitória no fundo — o símbolo da coligação de esquerda –, Mélenchon deixou duras críticas ao Presidente, designadamente no que se refere ao combate às alterações climáticas e no combate à pandemia e às consequências económicas que acarretou, acusando-o de ser como as pessoas que, quando não sabem o que fazer, “carregam em todos os botões a ver se resulta”.

De blazer preto e gravata vermelha, Mélenchon reconheceu que a coligação que lidera pode “não ser perfeita” e, em certas alturas, pode ter dificuldades em “lidar com a tensão enorme dos acontecimentos” inesperados.

“Mas temos uma direção, sabemos para onde vamos, e sabemos o que é mais precioso: não, não são as mercadorias. O mais precioso é o ser humano! São as nossas crianças e os nossos mais velhos! É isso que conta, e o resto, logo se verá”, gritou, perante uma ovação da plateia, e algumas pessoas a levantarem-se de pé.

Mélenchon afirmou que a política que a NUPES defende “consiste em relançar a economia com todos os meios disponíveis, nomeadamente ao aumentar o poder de compra”, propondo, para tal, o aumento do salário mínimo nacional para 1500 euros, que “arrastaria o resto dos salários”, e a reforma aos 60 anos, que “libertaria 830 mil empregos”.

“Os que vos propõem outra coisa além de relançar [a economia] condenam o nosso país à asfixia. É por isso que [a segunda volta das eleições legislativas] é um referendo entre os neoliberais de Macron e os solidários da NUPES”, exclamou.

Abordando ainda a coligação da NUPES — que permitiu juntar várias forças de esquerda, ultrapassando divergências históricas entre vários partidos de esquerda, como o Partido Socialista francês e a França Insubmissa –, Mélenchon afirmou que se trata de um “acordo histórico”.

“É a primeira vez na história da nossa família que, na primeira volta, nós apresentámos candidatos comuns, é a primeira vez que concordámos num programa comum, que tem 650 medidas! É enorme!”, afirmou.

O líder da esquerda defendeu que, com um programa com 650 medidas comuns, a coligação já não é simplesmente “eleitoral”, mas envia uma mensagem à sociedade que a esquerda “está junta” e pronta a “carregar o mundo”.

“A estabilidade política depende da estabilidade programática e nós temos estabilidade programática. A desordem, o caos, está com eles [coligação presidencial]. (…) Não permitam que essas pessoas fiquem com a mão no pavio, o nosso país ficaria esfarrapado! Nós, e nós apenas, é que somos capazes” de o levar adiante, exclamou Jean-Luc Mélenchon.

No departamento de Haute-Garonne, onde se situa a cidade de Toulouse, os candidatos da NUPES conseguiram qualificar-se para a segunda volta nos 10 círculos eleitorais em disputa, com quatro candidatos com uma vantagem de 10 pontos percentuais de distância relativamente aos candidatos da coligação presidencial, colocando-os em boa posição para serem eleitos.

Neste departamento tradicionalmente de esquerda — foi aqui que nasceu o histórico socialista Jean-Jaurès –, o sucesso eleitoral dos candidatos da NUPES constituiu uma reviravolta relativamente às eleições legislativas de 2017.

Na altura, nove dos 10 círculos eleitorais tinham sido conquistados pelos candidatos do partido ‘République en Marche!’, do Presidente, Emmanuel Macron.

Nas últimas eleições presidenciais, Jean-Luc Mélenchon tinha organizado em Toulouse o seu último comício antes da primeira volta das eleições legislativas, tendo depois ficado em primeiro lugar na cidade, à frente de Macron, com 36,95% dos votos.

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By Impala News / Lusa

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