Legislativas checas decorrem hoje e sábado com sondagens favoráveis ao PM cessante

As eleições legislativas na República Checa, que decorrem hoje e sábado constituem um teste ao primeiro-ministro cessante Andrej Babis, que se manteve à frente das sondagens mas deverá ser forçado a nova coligação com parceiros ainda incertos.

Legislativas checas decorrem hoje e sábado com sondagens favoráveis ao PM cessante

Legislativas checas decorrem hoje e sábado com sondagens favoráveis ao PM cessante

As eleições legislativas na República Checa, que decorrem hoje e sábado constituem um teste ao primeiro-ministro cessante Andrej Babis, que se manteve à frente das sondagens mas deverá ser forçado a nova coligação com parceiros ainda incertos.

Apesar de visado nas revelações recentes revelações dos ‘Pandora Papers’, que envolvem branqueamento de dinheiro, para além de anteriores suspeitas de fraudes com fundos europeus, a formação política do primeiro-ministro cessante conseguiu manter uma vantagem confortável sobre as outras formações, em particular face à SPOLU (Juntos em checo), uma aliança eleitoral de partidos da direita tradicional, e ao acordo inédito entre o Partido Pirata e o STAN, um partido de presidentes de câmaras municipais e personalidades regionais independentes.

No decurso da campanha, o pragmatismo e o “bom-senso” do político-empresário” Andrej Babis, 67 anos, líder do liberal-conservador e populista ANO 2011 (que significa “SIM” em checo e herdeiro do movimento Ação dos cidadãos descontentes), seduziu em particular os reformados, e terá “capturado” eleitorado que votava à esquerda.

No decurso da campanha eleitoral, Babis insistiu na receita “nacional-populista” aplicada na Hungria pelo seu “amigo” Viktor Orbán, e diversos analistas não excluem que poderá aliar-se à extrema-direita e ao Partido Comunista da Boémia e Morávia (KSCM) para se manter no poder.

Analistas em política checa, incluindo a professora em Ciência Política Jana Vargovcíková sugerem que o partido de Andrej Babis, detentor de uma das maiores fortunas do país, atraiu em particular os eleitores mais idosos, que vivem sobretudo na província e com níveis de instrução mais baixos.

Em paralelo, também seduziu uma parte considerável do eleitorado tradicional da esquerda, em particular do KSCM, que se arrisca pela primeira vez a não conseguir ultrapassar a barreira mínima dos 5% para obter representação parlamentar.

Um estudo de opinião do instituto Median em 2020 concluiu que o ANO é o favorito entre os eleitores que se consideram de esquerda.

A popularidade de Babis assenta na sua intenção de se distinguir dos partidos “tradicionais” e da extrema-direita, e impor-se como um homem de negócios diferente dos “políticos profissionais”, quando toda uma geração da elite política do pós-1989 está esgotada, à esquerda e à direita.

Babis tem governado em coligação com o Partido Social-Democrata checo (CSSD, centro-esquerda), um executivo minoritário que desde 2018 tem beneficiado ao “apoio tácito” dos comunistas. Mas o cenário pode mudar após as legislativas que terminam no sábado.

Defensor da fórmula de “dirigir o Estado como uma empresa”, e perante a profunda crise dos partidos socialistas tradicionais, os analistas consideram que Babis poderá agora optar, em caso de vitória eleitoral, por uma coligação que inclua o Liberdade e Democracia Direta (SPD, extremistas de direita) e sem excluir o Partido Comunista (KSCM).

Dirigido por Tomio Okamura, um checo-japonês, o SPD promete democracia direta, revogabilidade dos deputados, políticas anti-União Europeia, anti-imigração e anti-rom (a população de etnia cigana), para além de medidas sociais. É o parceiro checo da União Nacional francesa, o partido de extrema-direita de Marine Le Pen.

O KSCM é um caso distinto, herdeiro do partido com “função dirigente no Estado” antes de 1989 e que ao contrário de outros antigos partidos comunistas da região não de distanciou face ao passado, também com uma posição anti-UE e anti-NATO muito vincada.

Apesar de dividida em duas fações, uma pró-europeia e outra conservadora, e de um eleitorado idoso, tem conseguido votações em redor dos 10% mas foi sempre excluído das coligações governamentais a nível nacional.

Agora, o KSCM e o CSSD lutam por manter representação no parlamento, num desfecho que será determinante para a composição do próximo Governo checo.

A única alternativa à nova coligação pretendida por Andrej Babis também dependerá dos resultados das coligações SPOLU e Piratas/STAN, que já anunciaram estar prontos a formar um Governo conjunto.

PCR // EL

By Impala News / Lusa

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