Lech Walesa evoca queda do comunismo e alerta contra desigualdades

Trinta anos após as eleições legislativas na Polónia que precipitaram a queda do comunismo na Europa de Leste, Lech Walesa lançou hoje em Gdansk um alerta contra a demagogia, o populismo e as desigualdades sociais.

Lech Walesa evoca queda do comunismo e alerta contra desigualdades

Lech Walesa evoca queda do comunismo e alerta contra desigualdades

Trinta anos após as eleições legislativas na Polónia que precipitaram a queda do comunismo na Europa de Leste, Lech Walesa lançou hoje em Gdansk um alerta contra a demagogia, o populismo e as desigualdades sociais.

“Nem o comunismo nem o capitalismo atual convêm ao século XXI. Os povos não aceitarão a partilha das riquezas como é feita hoje e que se arrisca a continuar. Logo uma espécie de Revolução de Outubro (bolchevique) pode acontecer, a menos que nos sentemos à mesa com os que detêm essas riquezas”, disse, rodeado por vários outros protagonistas da queda do comunismo reunidos em Gdansk.

“A nossa geração conseguiu (há 30 anos) uma coisa incrível: oferecemos uma nova oportunidade ao mundo e sem desencadear uma guerra nuclear”, disse ainda o dirigente histórico do sindicato Solidariedade.

O porto de Gdansk e nomeadamente os seus estaleiros navais são o local simbólico de onde partiu o movimento que levou à democratização da Europa de Leste após perto de meio século de domínio soviético.

Os antigos presidentes Aleksander Kwasniewski e Bronislaw Komorowski, assim como vários antigos líderes da oposição anticomunista, sucederam-se na tribuna do Centro Europeu de Solidariedade para lembrar os dias gloriosos de 1989.

“Estávamos fartos, queiramos acabar com a realidade morna da época. O resultado deixou-nos felizes, embora ignorássemos tudo o que iria realmente acontecer. Não esqueçamos que na altura, milhares de soldados soviéticos estavam estacionados em toda a Polónia”, declarou à agência France Presse Waldemar Miszczak, engenheiro reformado, que veio de Zdunska Wola, com as bandeiras polaca e europeia na mão.

A cerimónia foi animada por personalidades da oposição, nenhum representante do partido Lei e Justiça (PiS, no poder) de Jaroslaw Kaczynski participou. Foi lida uma carta do presidente Andrzej Duda e espera-se que o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, discurse da parte da tarde.

A 4 de junho de 1989, após negociações entre o regime do general Wojciech Jaruzelski e a oposição conduzida por Lech Walesa, o líder da Solidariedade, o primeiro sindicato livre do mundo comunista, os polacos votaram em legislativas “semidemocráticas” que se soldaram por uma negação total do poder e do sistema comunista.

Após esta consulta inédita desde a instauração do regime controlado por Moscovo no final da Segunda Guerra Mundial, a oposição conquistou os 35% de deputados que poderia reivindicar na câmara baixa, de acordo com a lei eleitoral negociada. O regime tinha reservado para si uma maioria de 65%.

Ao mesmo tempo os candidatos apoiados pelo Solidariedade ocuparam 99% dos lugares no Senado, onde o escrutínio foi totalmente livre.

Dois meses mais tarde, o intelectual católico Tadeusz Mazowiecki tornava-se o primeiro chefe de governo não comunista na Europa de Leste. O muro de Berlim caía em novembro.

Dez anos depois a Polónia aderia à NATO e cinco anos mais tarde entrou na União Europeia.

PAL // ANP

By Impala News / Lusa

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