Le Pen ainda longe de conseguir ganhar eleições francesas em 2027 – investigador

O partido de extrema-direita francês União Nacional completou 50 anos, e de acordo com um investigador ouvido pela Lusa, uma possível vitória nas presidenciais de 2027 também dependerá de conseguir mostrar qualidades para governar.

Le Pen ainda longe de conseguir ganhar eleições francesas em 2027 - investigador

Le Pen ainda longe de conseguir ganhar eleições francesas em 2027 – investigador

O partido de extrema-direita francês União Nacional completou 50 anos, e de acordo com um investigador ouvido pela Lusa, uma possível vitória nas presidenciais de 2027 também dependerá de conseguir mostrar qualidades para governar.

A União Nacional, que até 2018 se chamou Frente Nacional, celebrou este mês meio século e reúne-se no próximo dia 05 de novembro em congresso para escolher um novo presidente, com Marine Le Pen a continuar a mandar no partido à distância e a preparar as eleições de 2027.

“Não devemos pensar que só porque este partido fez um percurso improvável em 50 anos que a vitória de Marine Le Pen é certa em 2027. Ela tem de ganhar um certo número de pontos, já que de 42 por cento nas últimas eleições aos 50% necessários ainda vai uma grande diferença”, afirmou Jean-Yves Camus, politólogo e co-diretor do Observatórios dos Radicalismos Políticos na Fundação Jean-Jaurès em entrevista à Agência Lusa.

Há 50 anos que Jean-Marie Le Pen fundou o partido Frente Nacional, que mudou de nome em 2018 para União Nacional, obtendo em 2022 as suas maiores vitórias com Marine Le Pen na liderança: um resultado de 42% na segunda volta das eleições presidenciais em maio e, logo a seguir, um grupo de 89 deputados na Assembleia Nacional.

No entanto, para o investigador Jean-Yves Camus, que acompanha o partido há 40 anos, a vitória de Marine Le Pen em 2027 só pode acontecer caso a líder da extrema-direita francesa mostrar que tem uma equipa à volta dela com capacidade para gerir um Governo.

“Ela ainda tem de mostrar que este partido é capaz de governar e isso vai depender da qualidade do trabalho dos deputados da Frente Nacional nos próximos anos. No fim deste mandato, os franceses têm de ver que ela não está sozinha e que ela tem uma equipa, com alguém que possa ser ministro das Finanças ou dos Negócios Estrangeiros. E ela ainda está muito longe disso”, indicou o investigador.

Uma sondagem divulgada esta semana pelo barómetro Odoxa, que estuda a popularidade dos políticos franceses, mostrou que Marine Le Pen é a segunda figura política mais popular em França, ultrapassada apenas por Edouard Philippe, ex-primeiro-ministro de Emmanuel Macron e atual autarca de cidade de Havre. 

Jean-Yves Camus lembra que em 2027 Emmanuel Macron não será uma opção para os eleitores franceses porque terá atingido o máximo de mandatos consecutivos à frente do Eliseu, cabendo assim à maioria encontrar um ou uma nova candidata que faça frente a Marine Le Pen.

Com Macron fora da corrida, “terá de ser outra pessoa e para ter alguém tão carismático, conhecido e implementado como Marine Le Pen, a maioria vai precisar de alguém que seja capaz de unir os franceses, alguém extremamente credível”, explicou.

Daqui a uma semana, Jordan Bardella, que chegou a assumir funções de presidente durante a campanha eleitoral, poderá assumir integralmente a liderança do partido. No entanto, não será este jovem eudeputado de 27 anos a dirigir verdadeiramente o partido.

“O congresso de 05 de novembro vai eleger um novo presidente e este presidente não será Marine Le Pen, ela já deixou a presidência temporária a Jordan Bardella durante a eleição presidencial. Mas que ninguém se engane, quem manda verdadeiramente na União Nacional é e continuará a ser Marine Le Pen”, declarou Jean-Yves Camus.

Nos 50 anos deste partido, o investigador considera que Marine Le Pen soube aproveitar-se dos problemas do país, como fez recentemente, quando veio ligar o assassinato macabro de uma menina de 12 anos por uma argelina que já tinha ordem de expulsão do país à imigração ilegal, ou quando alinhou na votação de uma moção de censura ao Governo com a esquerda, para continuar a projetar o seu partido.

“Toda a gente pensou, tanto à esquerda como à direita, que a Frente Nacional era um fenómeno transitório e temporário e que, no fundo, um dia íamos livrar-nos deles, mas de facto, a história progride e Marine Le Pen aproveita hoje uma série de problemas mal resolvidos da sociedade francesa e com os partido de direita, em França e na Europa, estagnados num sistema antigo”, comentou.

Sem pompa nem circunstância, o aniversário do partido contou com um pequeno grupo fechado, deixando de fora Jean-Marie Le Pen, atualmente com 94 anos. Uma exclusão que Jean-Yves Camus diz compreensível pela idade, mas sobretudo porque Marine Le Pen quer pensar no futuro.

“Ele tem 94 anos, não seria normal que ele continuasse à frente do partido. Não falando das suas contradições e das declarações abomináveis que fez, sem Jean-Marie Le Pen, o partido não estaria onde está. Claro que há uma certa ingratidão de o afastar desta forma, mas Marine Le Pen sabe que se o partido tivesse continuado como no tempo do seu pai e se ela fizesse como o seu pai, as coisas não funcionariam com funcionaram”, concluiu.

 

CYF // APN

By Impala News / Lusa

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