José Sócrates dispara após afirmações de António Costa: «Velhacaria»

O antigo primeiro-ministro acusou a direção do PS de orquestrar “uma intriga” contra si, “baseada em falsidades”.

José Sócrates dispara após afirmações de António Costa: «Velhacaria»

José Sócrates dispara após afirmações de António Costa: «Velhacaria»

O antigo primeiro-ministro acusou a direção do PS de orquestrar “uma intriga” contra si, “baseada em falsidades”.

José Sócrates já reagiu às alegadas declarações do atual primeiro-ministro, António Costa, que, numa atualização da biografia de Mário Soares divulgada nesta quinta-feira, considera que Sócrates “aldrabou” os socialistas quanto à origem da sua fortuna. O antigo primeiro-ministro acusa tratar-se de “uma velhacaria”, sublinhado que nunca mentiu “a ninguém”. “Obrigada pela oportunidade de me defender dessas velhacas declarações de António Costa e desse ataque que o líder do PS me faz”, começou por dizer, em conversa com a TVI.

“Vi-me obrigado, perante a instrução do processo Marquês, a provar tudo aquilo que estou a dizer, através das escrituras que entreguei e que estavam na Torre do Tombo, porque remontam aos anos 80, e que provam que a minha mãe teve três heranças, a maior das quais foi herança do meu avô, que lhe deixou uma fortuna considerável. Tudo isso é hoje matéria de prova”, salientou, lamentando a “humilhação que [lhe] foi infligida”.

«Pela frente alegavam que estavam em silêncio, por detrás…»

O antigo primeiro-ministro mostrou-se surpreendido já que pensava “que essa intriga sobre a herança da [sua] mãe vinha do Ministério Público”. “Vejo agora que vinha, afinal, da direção do PS e, por isso, essas declarações apenas evidenciam a reserva mental com que a direção do PS sempre encarou o processo Marquês. Pela frente alegavam que estavam em silêncio, mas por detrás faziam uma intriga contra mim, uma intriga baseada em falsidades”, atirou. “Quando as pessoas são acusadas de alguma coisa, a acusação tem de provar o que diz”, rematou.

Em causa estão declarações de Costa que remontam à única visita que fez ao antigo líder socialista no Estabelecimento Prisional de Évora, a 31 de dezembro de 2014, onde se cruzou com Mário Soares. Sócrates estava, na altura, detido por suspeita de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal qualificada. “Concluo que ele, de facto, aldrabou-nos [ao PS]”, terá dito António Costa, citado no 4.º volume da edição atualizada e ampliada da obra ‘Mário Soares, uma vida’, da autoria do jornalista Joaquim Vieira, editada pela revista Sábado.

«Não consegui estar sozinho com Sócrates», terá dito António Costa

“Eu ia lá para falar com o José Sócrates pessoalmente e ouvir da boca dele o que tinha para me dizer, mas não consegui estar sozinho com ele. Aliás, nem falei com ele, praticamente (…) O Soares fez ali um comício contra a ‘injustiça’ e ‘a canalhice que isto é’, e o outro acrescentava que sim, que era tudo uma ‘canalhice’ e não sei quê”, terá dito António Costa. “O Soares não estava para ir naquele dia. Portanto, o Sócrates mandou-o ir: em primeiro lugar, porque nunca quis ter uma conversa cara a cara comigo e, em segundo lugar, porque me quis condicionar através do Soares. O que, aliás, só agravou mais as minhas suspeitas sobre a coisa toda.

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