Hungria vai fornecer duas centrais de dessalinização a Cabo Verde

A Hungria vai fornecer a Cabo Verde duas centrais de dessalinização ao abrigo da linha de financiamento para mobilização água ao setor agrícola cabo-verdiano, anunciou hoje no parlamento o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva.

Hungria vai fornecer duas centrais de dessalinização a Cabo Verde

Hungria vai fornecer duas centrais de dessalinização a Cabo Verde

A Hungria vai fornecer a Cabo Verde duas centrais de dessalinização ao abrigo da linha de financiamento para mobilização água ao setor agrícola cabo-verdiano, anunciou hoje no parlamento o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva.

“Para ainda este ano está previsto o embarque para Cabo Verde de duas dessalinizadoras, enquadradas na linha de crédito da Hungria, de 35 milhões de euros, como é sabido, seguindo-se os restantes investimentos”, afirmou o chefe do Governo, ao abrir o debate mensal na Assembleia Nacional, na Praia, neste caso dedicado ao “desenvolvimento rural”.

Em causa está uma linha de crédito de 35 milhões de euros do Eximbank Hungary, banco estatal húngaro que fomenta as exportações e importações do país europeu, que visa mobilizar água para o setor agrícola cabo-verdiano, envolvendo empreitadas em condutas adutoras, numa primeira fase, e depois na modernização das maiores estações de tratamento de água do arquipélago – entre outros investimentos -, num contexto de períodos de secas cíclicas que Cabo Verde tem enfrentado, como nos últimos quatro anos.

“Este ano, graças a Deus, choveu. As perspetivas são de um ano agrícola entre o razoável e o bom, quer na produção de grãos, pasto e recarga de água. É sempre um sinal de esperança acrescido. Em contexto de crises graves, não nos limitamos a gerir emergências e contingências”, disse.

“Investimos e vamos continuar a investir na resiliência, com particular incidência nas zonas rurais. Resiliência e sustentabilidade assente em transição da agricultura e pecuária tradicional de subsistência para mais produtividade, mais rendimento e maior orientação para o mercado”, defendeu o chefe do Governo, no cargo desde 2016.

De acordo com Ulisses Correia e Silva, entre outros investimentos, o projeto da Bacia Hidrográfica de São João Batista, em Ribeira Grande de Santiago, de 15 milhões dólares, “está em fase de preparação do concurso” e na estratégia de água, os incentivos fiscais e financeiros para massificação da água gota a gota são para continuar.

“Os resultados registados são bons. A taxa de penetração de ligação através do sistema de rega gota a gota aumentou 27% em 2015 para 44% em 2022, e é para continuar a crescer”, justificou, garantindo igualmente que um novo pacote de investimento público em acessibilidades será lançado em 2023.

“Várias localidades foram desencravadas com impacto positivo na atividade agrícola, turística, no acesso a mercados e mobilidade de pessoas. Várias obras estão em execução”, disse ainda.

Na abertura da última sessão parlamentar de outubro, que se prolonga até sexta-feira, Ulisses Correia e Silva reconheceu que “as crises económicas, sociais e ambientais” que têm afetado o arquipélago impactaram “na quebra do crescimento económico, no emprego, no rendimento, na segurança alimentar e na pobreza”.

“Populações das zonas rurais onde se regista a maior concentração da pobreza e onde a atividade económica é concentrada na agricultura têm sentido impactos acrescidos das secas severas registadas em Cabo Verde, dos efeitos económicos e sociais da crise provocada pela pandemia da covid-19 e dos efeitos da escalada inflacionista derivada da guerra na Ucrânia”, sublinhou.

Contudo, insistiu na prioridade à “estratégia de água assente na diversificação de fontes de irrigação”, mas também na “aceleração da transição energética, expansão de projetos hidroagrícolas integrados, melhoria de acessibilidades através de desencravamentos e mobilidade para pessoas e mercadorias, desenvolvimento das pescas e das comunidades piscatórias, implantação e desenvolvimento do turismo rural”.

Defendeu a necessidade de “eliminação da pobreza extrema e redução da pobreza absoluta” através da “estratégia de desenvolvimento local e regional orientada para a coesão territorial e coesão social” e no “aumento da capacidade de resposta do país a situações de emergência relacionadas com a ação climática e com fenómenos meteorológicos extremos”.

“Estas são as nossas opções para que o desenvolvimento rural seja sustentável. Não nos limitamos a ver o campo como espaços de pobreza e do ‘coitadismo’. É preciso ambição e sentido do futuro”, enfatizou.

Depois da inauguração, há dias, do polo de ensino superior na ilha de Santo Antão — o primeiro fora das ilhas principais, de Santiago e de São Vicente -, com cursos de engenharia agronómica e engenharia zootécnica já neste ano letivo, Ulisses Correia e Silva confirmou a abertura de um polo universitário de Geociências e Vulcanologia da Universidade de Cabo Verde na ilha do Fogo, no ano letivo de 2023/2024.

“Estes são investimentos no presente e para o futuro, para aumentar a capacidade de investigação agrária e oferta de competências em áreas fundamentais para o desenvolvimento do setor agrário”, afirmou.

“Continuamos a gerir contingências e emergências porque o mundo está em crise e Cabo Verde sofre as consequências. Mas continuamos e vamos reforçar a realização de reformas e investimentos para tornar Cabo Verde mais resiliente e orientado para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030”, concluiu o primeiro-ministro.

PVJ // VM

By Impala News / Lusa

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