Há mais ratings que devem piorar do que melhorar em África este ano

A agência de notação financeira Fitch disse hoje que o número de países com perspetiva de verem o seu ‘rating’ degradado na África Subsaariana é superior ao dos países que devem ter a avaliação de crédito melhorada.

Há mais ratings que devem piorar do que melhorar em África este ano

Há mais ratings que devem piorar do que melhorar em África este ano

A agência de notação financeira Fitch disse hoje que o número de países com perspetiva de verem o seu ‘rating’ degradado na África Subsaariana é superior ao dos países que devem ter a avaliação de crédito melhorada.

“À entrada de 2019, as Perspetivas de Evolução [‘Outlook’] Negativa na América Latina, no Médio Oriente e em África são superiores ao número de países com ‘Outlook’ positivo, enquanto o inverso é verdade nos mercados emergentes europeus, sugerindo que o padrão de ações de rating este ano seja similar ao do ano passado”, escrevem os analistas numa nota ao mercado divulgada hoje.

Na nota, com o título ‘A Tempestade que se Aproxima’, a agência de notação financeira Fitch escreve que “os riscos de crédito em muitos setores estão a aumentar com a deterioração cíclica nas condições de crédito e com a dívida global a atingir níveis inéditos”.

A Fitch alerta, no entanto, que ‘a tempestade que se aproxima’ é diferente da que assolou a economia mundial no final da década passada, já que “as condições macroeconómicas e a divisão por setores em termos de alavancagem aos mercados financeiros difere significativamente”.

Os governos e as entidades não financeiras “deverão estar no centro de qualquer futura tempestade em termos de condições de crédito”, escrevem os analistas da Fitch, que lembram que desde a última recessão mundial os rácios entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB) dos países “subiram significativamente”.

“A análise da Fitch sobre os efeitos das recessões nas finanças públicas mostra que a queda média no PIB das economias desenvolvidas nas recessões desde 1980 foi de 4,4%, acompanhada de um aumento nos défices orçamentais de 4,3% do PIB e um aumento de 16 pontos percentuais no rácio entre a dívida e o PIB”.

Como existe uma “capacidade limitada para absorver uma deterioração significativa das finanças públicas tendo em conta os níveis atuais de ‘ratings’ para os países com dívida alta e fraco histórico de consolidação orçamental”, como é o caso de Angola e Moçambique, entre outros, a Fitch alerta que são estes países que mais devem ser atingidos pela mudança nas condições de crédito.

“A curto prazo, os efeitos de uma política financeira mais restritiva deverá ser mais sentido pelos mercados soberanos emergentes, que deverão sentir mais volatilidade e uma disrupção acentuada no que diz respeito aos fluxos internacionais.

A Fitch atribui uma nota B a Angola, com Perspetiva de Evolução (PE) Estável, enquanto a Moody’s atribui uma classificação de B3, com PE Estável. A Standard & Poor’s, por seu turno, dá uma nota de B- com PE Estável, todas elas abaixo da recomendação de investimento, ou seja, ‘lixo’, como é geralmente designado.

No caso de Moçambique, o panorama é diferente já que o país está em incumprimento financeiro (‘default’), razão pela qual não há uma nota sobre a probabilidade de o emissor cumprir os pagamentos de dívida.

MBA // VM

By Impala News / Lusa

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