Governo reúne-se com trabalhadores da Saint-Gobain para a semana sobre despedimento — sindicato

Mais de uma centena de trabalhadores da Saint-Gobain manifestaram-se hoje contra o despedimento coletivo, frente ao Ministério da Economia, de onde uma comitiva saiu com a promessa de uma reunião com o Governo na próxima semana.

Governo reúne-se com trabalhadores da Saint-Gobain para a semana sobre despedimento -- sindicato

Governo reúne-se com trabalhadores da Saint-Gobain para a semana sobre despedimento — sindicato

Mais de uma centena de trabalhadores da Saint-Gobain manifestaram-se hoje contra o despedimento coletivo, frente ao Ministério da Economia, de onde uma comitiva saiu com a promessa de uma reunião com o Governo na próxima semana.

“O que nós hoje viemos aqui fazer foi transmitir as razões de luta, mas ainda não foi ao senhor ministro da Economia, ou ao secretário de Estado Adjunto, que tem o processo no gabinete, por isso, conseguimos trazer já hoje agendada uma reunião na próxima semana, ou na segunda feira ou na sexta, diretamente, se for possível, com o senhor ministro ou com o secretário Adjunto, que tem todo este dossiê em sua posse”, explicou aos jornalistas a coordenadora da coordenadora da Federação Portuguesa dos Sindicatos da Construção, Cerâmica e Vidro (FEVICCOM), Fátima Messias.

Os trabalhadores da multinacional vidreira concentraram-se em Lisboa, no Jardim de São Pedro de Alcântara, pelas 10:30, de onde seguiram a pé para o Ministério da Economia, com a intenção de exigir que uma comitiva de cinco representantes fosse recebida por representantes do Ministério.

Segundo explicaram os representantes dos trabalhadores, tinha sido enviado um pedido de reunião ao Governo há quase 15 dias, mas, face à ausência de resposta, decidiram comparecer no Ministério da Economia.

“O que se coloca aqui nesta intenção de despedimento é da parte de quem tem poder de decisão do Governo, da Economia e depois do Trabalho, que seja assumido um compromisso do Governo português para que esta decisão da multinacional não vá avante, que seja de facto posta em causa e que seja impedida”, afirmou Fátima Messias.

Os trabalhadores da multinacional francesa em Santa Iria da Azoia, Loures, enfrentam uma intenção de despedimento coletivo dos 130 funcionários da fábrica, que é a única a produzir vidro para veículos em Portugal.

A coordenadora da FEVICCOM apontou, no entanto, que os trabalhadores só ficarão satisfeitos quando houver uma decisão do Governo no sentido de intervir para travar o despedimento coletivo.

Segundo anunciou Fátima Messias aos trabalhadores que aguardavam pelo fim da reunião, já perto das 13:00, empunhando faixas e gritando palavras de ordem no Largo Camões, o Governo considera que há motivos económicos e sociais fortes para contrariar a intenção da Saint-Gobain de fechar a fábrica de vidro, e, por isso, é uma matéria que está a merecer a atenção do executivo.

“Nós não abdicaremos de falar com os responsáveis a todos os níveis do Governo, para que o Governo não fique calado, não fique mudo, para aquilo que é um crime económico e social no nosso país”, acrescentou a dirigente sindical.

Luís Santos, trabalhador da Saint-Gobain há 21 anos, explicou à Lusa que os trabalhadores souberam quando chegaram de férias da intenção da empresa de os despedir.

“Apresentaram-nos este despedimento coletivo e a partir daí a gente não para, nós queremos os nossos postos de trabalho, queremos trabalho, não queremos indemnizações, temos tudo para produzir”, afirmou o trabalhador.

“Querem extinguir os nossos postos de trabalho, querem levá-los para outros países, querem mão de obra mais barata e isso também é inadmissível. Nós somos a única empresa vidreira em Portugal que produz para a indústria automóvel e nós não aceitamos isso”, sublinhou.

A ação de luta contou também com a presença do presidente da Câmara de Loures, Bernardino Soares, que sublinhou a importância daquela fábrica para a economia local, mas também nacional.

“É uma empresa estratégica para o nosso concelho, mas primeiro para o país, não só porque tem 130 postos de trabalho diretamente na empresa e, se calhar, mais uma centena em prestadores de serviço, mas porque tem uma atividade produtiva que é única no nosso país”, disse o autarca aos jornalistas.

Bernardino Soares considerou ainda que o Governo “não pode ficar passivo perante uma situação destas” e disse estar confiante de que esta luta dos trabalhadores “ainda há de dar algum resultado”.

MPE // EA

By Impala News / Lusa

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