Governo dos Açores diz estar em curso terceira versão de plano de reestruturação da SATA

O secretário regional das Finanças dos Açores revelou hoje que está a ser elaborada uma terceira versão do plano de reestruturação da SATA que prevê uma alteração societária e a substituição de injeções de capital por absorção de dívida.

Governo dos Açores diz estar em curso terceira versão de plano de reestruturação da SATA

Governo dos Açores diz estar em curso terceira versão de plano de reestruturação da SATA

O secretário regional das Finanças dos Açores revelou hoje que está a ser elaborada uma terceira versão do plano de reestruturação da SATA que prevê uma alteração societária e a substituição de injeções de capital por absorção de dívida.

A informação foi adiantada no parlamento açoriano por Joaquim Bastos e Silva, antes de se discutir, na especialidade, a proposta de alteração ao Plano Regional Anual para 2022, feita pelos partidos da coligação de Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) com vista a reduzir o endividamento em 18 milhões de euros na rubrica da “reestruturação e concessão de transporte aéreo de passageiros, carga e correio inter-ilhas”.

“Vamos formular uma terceira versão do plano de reestruturação, para concretizar no mais curto espaço de tempo. Logo que haja essa versão, o presidente [do Governo Regional] a terá e distribuirá pelos deputados”, explicou o governante.

Bastos e Silva indicou que houve uma reunião este mês na qual “foi possível esclarecer algumas matérias que facilitaram uma mudança de posição quanto ao futuro e à forma como é concretizada a reestruturação” da companhia aérea.

Em causa está uma “alteração societária” do grupo SATA, que “passa por constituir, de novo, quatro empresas e uma SGPS [sociedade gestora de participações sociais]”.

“No fundo, é a reconstituição do grupo SATA, vista como uma solução muito virtuosa”, explicou.

Bastos e Silva indicou ainda que a Direção-Geral da Concorrência da União Europeia deu conta da “possibilidade de substituir injeções de capital, sempre difíceis, por absorção de dívida”.

No debate interveio também o vice-presidente do executivo, Artur Lima (do CDS-PP), para questionar o deputado Carlos Silva, do PS, sobre se confirmava “que a dívida da SATA, no fim de 2020, eram mais de 300 milhões de euros”.

“Porque é que este governo teve de fazer um plano de reestruturação da SATA? Devido à nossa ou à vossa gestão?”, questionou ainda, referindo-se à governação socialista do arquipélago, que terminou no ano passado, após mais de 20 anos no poder.

“Estamos a fazer cuidadosamente um plano de reestruturação porque herdamos verdadeiramente uma gestão desastrosa, onde a SATA já se tinha despenhado em falência técnica”, frisou.

António Lima, do BE, considerou que a redução de 18 milhões de euros no endividamento para a área dos transportes significa que o Governo Regional “ou está a ceder aos parceiros [políticos], nomeadamente ao Chega, ou a preparar o caminho para o fim da SATA Internacional”.

A SATA Air Açores é a responsável pelas ligações aéreas entre as várias ilhas do arquipélago e a Azores Airlines, também conhecida por SATA Internacional, liga a região autónoma com o exterior.

Nuno Barata, da Iniciativa Liberal, reiterou a “preocupação com a ausência de apresentação do plano de reestruturação da SATA”.

“Faz todo o sentido que não seja injetado este capital na SATA neste momento. Ainda nem conhecemos resultados operacionais do segundo semestre. Se continuar no mau caminho, não contem com a IL para continuar a injetar dinheiro na SATA para pagar prejuízos operacionais. O passivo vai ser pago por todos nós. É preciso travar essa sangria”, alertou.

Pedro Neves, do PAN, afirmou concordar com a redução do endividamento dirigido à SATA, “mas só quando conhecer os números [do plano de reestruturação]”.

O deputado Carlos Silva disse que o PS “não pode aceitar que se corte no financiamento da SATA”.

“Não faz sentido que governo diga que pretende salvar a SATA e, numa tentativa de manutenção no poder, cede à chantagem de alguns partidos reduzindo verbas para a SATA”, observou.

João Bruto da Costa, do PSD, acusou o PS de “ter um grau de desfaçatez gigantesco, quase do tamanho do buraco que deixaram na SATA”.

“Ouvi o PS dizer que quer salvar a SATA. Salvar a SATA de quem? Da política que os senhores desenvolveram e trouxe a SATA à situação calamitosa de falência em que a deixaram?”, questionou.

José Pacheco, do Chega, alertou para a existência de duas SATA — “a que serve os açorianos”, e que é “fundamental”, e depois a que “é o calote no meio da sala” — a SATA Internacional.

“Não me dá gosto ter de fechar uma empresa desta dimensão. Mas, se a SATA Internacional continuar por este caminho, a SATA inter-ilhas vai de arrasto. Se for, perdemos a nossa mobilidade”, indicou.

Catarina Cabeceiras, do CDS-PP, criticou o BE por tentar “diminuir os outros deputados”, dizendo que “estão a ser enganados”.

“Só o BE, do alto da sua superioridade intelectual, é que consegue ver tudo”, ironizou.

Paulo Estêvão, do PPM, pediu que a SATA não seja utilizada “como arma de arremesso eleitoral e política”.

Em 10 de novembro, o presidente da companhia aérea disse acreditar que a Comissão Europeia vai aprovar o plano de restruturação até ao final do ano.

A Comissão Europeia autorizou, em 2020, um auxílio de emergência de 133 milhões de euros, tendo autorizado mais tarde um novo apoio no valor de 122,5 milhões de euros.

 

ACG // ROC

By Impala News / Lusa

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