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Governo diz que medidas de austeridade em Angola não foram impostas pelo FMI

Governo diz que medidas de austeridade em Angola não foram impostas pelo FMI

O Governo angolano assegurou hoje que as “medidas de austeridade” em curso no país, como a “redução de subsídios aos membros do Governo, deputados, aumento das tarifas de água” e outras, “não foram impostas” pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

De acordo com Manuel Nunes Júnior, ministro de Estado para o Desenvolvimento Económico e Social de Angola, no futuro “haverá outros ajustes” em tarifas de bens considerados públicos, “medidas que constam” do Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2018-2022.

“Mas essas são medidas que estão já incluídas no PDN, portanto, não são trazidas pelo programa do FMI, mas as previstas por nós, que as consideramos essenciais para termos uma economia normalizada e própria para captar investimentos estrangeiros e nacionais”, disse.

O governante falava hoje aos jornalistas, em Luanda, no final de uma reunião que a equipa económica do Governo angolano manteve com a diretora geral do FMI, Christine Lagarde, instituição que concedeu um empréstimo a Angola de 3,7 mil milhões de dólares (3,2 mil milhões de euros).

O ministro angolano deu conta que o programa de assistência técnica e financeira do FMI vai ajudar o país a implementar o seu Programa de Estabilização Macroeconómica (PEM) e o PDN 2018-2022, observando que todas as ações a serem desenvolvidas estarão em consonância com o programa de desenvolvimento nacional.

“Não se trata de um financiamento que traz a imposição de um programa novo para Angola. O país vai continuar a desenvolver os seus próprios programas, como tem feito até agora. Os recursos que vamos receber vão ajudar-nos a apoiar esse programa por nós desenvolvido e que contém reformas importantes”, apontou.

O financiamento do FMI “é para apoiar os programas elaborados por Angola e que estão em curso. Este é o elemento fundamental, o que quer dizer que os programas que Angola definiu vão continuar a ser desenvolvidos. Esses recursos vão ajudar a desenvolver as reformas que Angola já tem feito até agora”, concluiu Manuel Nunes Júnior.

Quinta-feira, no primeiro de dois dias da visita oficial a Angola da diretora-geral do FMI, Christine Lagarde afirmou em Luanda que o programa de assistência não vai, “para já”, aumentar os impostos, os despedimentos na função pública nem o preço dos combustíveis.

“O FMI de hoje não é o FMI do passado, pois aprendemos com os erros e defendemos políticas amigas do crescimento”, sublinhou Lagarde, numa pequena conferência de imprensa conjunta com o Presidente angolano, João Lourenço.

Ainda na quinta-feira, Lagarde confirmou o financiamento do FMI a Angola, no valor de 3,7 mil milhões de dólares (3,2 mil milhões de euros), tendo João Lourenço confirmado que a primeira tranche, de quase 1.000 milhões de dólares (870 milhões de euros) já chegou aos cofres angolanos.

Tratou-se da segunda vez que Lagarde e Lourenço se encontraram este ano, depois da reunião, a 23 de janeiro, realizada em Davos, à margem do Fórum Económico Mundial, que a economista francesa descreveu então como “muito construtivo” e em que foram analisados temas como a estabilidade macroeconómica e crescimento inclusivo em benefício dos angolanos.

Hoje, após a reunião com a equipa económica do Governo, Lagarde visitou o Hospital Pediátrico David Bernardino, em Luanda, onde entregou um conjunto de donativos, visitou o escritório local do FMI e a Fortaleza de São Miguel, na Baía de Luanda, ato com que terminou a visita oficial.

Christine Lagarde deixa Luanda ao princípio da noite.

DYAS/JSD // PJA

By Impala News / Lusa

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