Governo de Hong Kong persegue líderes políticos, força policial próxima da tortura, diz Amnistia Internacional

O diretor da Amnistia Internacional em Hong Kong defendeu, em entrevista à Lusa, que há uma perseguição seletiva de líderes políticos no território e que, por vezes, o uso de força policial se aproxima da tortura.

Governo de Hong Kong persegue líderes políticos, força policial próxima da tortura, diz Amnistia Internacional

Governo de Hong Kong persegue líderes políticos, força policial próxima da tortura, diz Amnistia Internacional

O diretor da Amnistia Internacional em Hong Kong defendeu, em entrevista à Lusa, que há uma perseguição seletiva de líderes políticos no território e que, por vezes, o uso de força policial se aproxima da tortura.

*** João Carreira (textos) e Miguel Mâncio (vídeo), enviados da agência Lusa ***

“Em Hong Kong o sistema judicial é ainda independente e as pessoas continuam a ter julgamentos imparciais, mas, por outro lado, o Governo de Hong Kong tem perseguido seletivamente líderes políticos, assim como manifestantes, que têm feito ouvir a sua voz (…) de oposição”, afirmou Man-kei Tam.

“Este tipo de perseguição seletiva vai definitivamente aumentar a pressão sobre o sistema judicial e, a longo prazo, criar um enorme impacto no nosso Estado de Direito”, sustentou o responsável da AI na ex-colónia britânica, agora administrada por Pequim, numa entrevista à agência Lusa na véspera da celebração dos 70 anos da fundação da República Popular da China que se assinalam hoje.

Por outro lado, frisou, desde junho que se assiste a uma “intensificação do uso excessivo de força policial”, que considera “desproporcionado, desnecessário e ilegal (…), por vezes muito próximo da tortura”.

“É verdade que assistimos a uma escalada de violência dos manifestantes, (…) mas, por outro lado, a um crescente e desproporcionado uso de força policial (…) também contra jornalistas e pessoal médico”, acusou.

Man-kei Tam recordou que “a Amnistia, mas também a associação de jornalistas de Hong Kong, tem relatado vários casos em que a polícia aparentemente alvejou jornalistas nos locais das manifestações”, com uma preocupação agravada: “descobrimos que existe um preocupante padrão policial no uso de força excessiva, por vezes próxima da tortura, de manifestantes nos centros de detenção”.

O responsável de Hong Kong da organização não-governamental garantiu que a Amnistia Internacional quer “descobrir a verdade” e que, por isso mesmo, tenta “documentar o que se passa dos dois lados”, dos manifestantes e da polícia.

“Isso significa que se os manifestantes recorrerem à violência, tal será documentado e mencionado, (…) mas o nosso foco é se a polícia está ou não a usar força legal apropriada sobre os manifestantes, de acordo com a lei e normas internacionais”, precisou.

O Governo de Hong Kong anunciou a retirada formal das emendas à polémica lei da extradição que esteve na base da contestação social desde o início de junho.

Contudo, os manifestantes continuam a exigir que o Governo responda a quatro outras reivindicações: a libertação dos manifestantes detidos, que as ações dos protestos não sejam identificadas como motins, um inquérito independente à violência policial e, finalmente, a demissão da chefe de Governo e consequente eleição por sufrágio universal para este cargo e para o Conselho Legislativo, o parlamento de Hong Kong.

A transferência de Hong Kong para a República Popular da China, em 1997, decorreu sob o princípio “um país, dois sistemas”.

Tal como acontece com Macau, para aquela região administrativa especial da China foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário, com o Governo central chinês a ser responsável pelas relações externas e defesa.

JMC // ANP

By Impala News / Lusa

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