Governo britânico confirma libertação de dois irano-britânicos detidos no Irão

Os irano-britânicos Nazanin Zaghari-Ratcliffe e Anoosheh Ashoori, detidos há vários anos no Irão, estão hoje num avião de regresso ao Reino Unido, confirmou a ministra dos Negócios Estrangeiros, Liz Truss.

Governo britânico confirma libertação de dois irano-britânicos detidos no Irão

Governo britânico confirma libertação de dois irano-britânicos detidos no Irão

Os irano-britânicos Nazanin Zaghari-Ratcliffe e Anoosheh Ashoori, detidos há vários anos no Irão, estão hoje num avião de regresso ao Reino Unido, confirmou a ministra dos Negócios Estrangeiros, Liz Truss.

“Após anos de detenção pelo governo do Irão, os cidadãos britânicos Nazanin Zaghari-Ratcliffe e Anoosheh Ashoori regressarão hoje. Morad Tahbaz também foi libertado da prisão em licença. É o resultado de uma diplomacia britânica tenaz e criativa”, congratulou-se.

De acordo com o jornal The Times, os dois vão voar para Omã e depois para uma base aérea no Oxfordshire num avião fretado pelo Governo.

Zaghari-Ratcliffe, de 43 anos, estava detida há quase seis anos, Ashoori, de 68 anos, há quase cinco, e Tahbaz, de 66 anos, estava na prisão há quatro anos. 

“A libertação deles é o resultado de anos de trabalho duro e dedicação dos nossos brilhantes diplomatas e esforços intensivos nos últimos seis meses. Presto homenagem aos meus antecessores e ao primeiro-ministro [Boris Johnson], que trabalharam arduamente para resolver esta questão”, afirmou Truss.

A ministra confirmou também que a dívida, estimada em cerca de 400 milhões de libras (476 milhões de euros) do Reino Unido, ao Irão, alegadamente na origem do diferendo, foi paga “em total conformidade com as sanções do Reino Unido e internacionais”. 

“Estes fundos serão reservados exclusivamente para a compra de bens humanitários”, garantiu.

Gerente de projetos da Fundação Thomson Reuters, filial filantrópica da agência de notícias com o mesmo nome, Nazanin Zaghari-Ratcliffe foi presa em 2016 em Teerão, durante uma visita à sua família.

Foi acusada de conspirar para derrubar a República Islâmica, o que nega veementemente, e condenada a cinco anos de prisão.

Depois de cumprir a sua sentença, foi novamente condenada no final de abril a um ano de prisão por participar numa manifestação em frente da embaixada iraniana em Londres, em 2009.

Em outubro de 2021, Zaghari-Ratcliffe perdeu um recurso, o que levantou preocupações entre os seus familiares de um retorno iminente à prisão, de onde foi libertada com pulseira eletrónica – em regime de prisão domiciliária – em março de 2020, devido à pandemia de covid-19.

Os seus apoiantes acreditam que foi feita refém devido a um conflito entre Londres e Teerão sobre uma antiga dívida de 400 milhões de libras (467 milhões de euros), que Londres se recusa a pagar desde a deposição do xá do Irão em 1979.

No debate semanal no Parlamento, a deputada do Partido Trabalhista, Angela Rayner, urgiu o Governo a abrir um inquérito para apurar porque demorou seis anos para chegar a um desfecho positivo. 

“Esta situação devastadora nunca mais deve ser repetida e outros cidadãos britânicos ainda presos no Irão precisam de ser trazidos para casa”, argumentou, alegando ser necessário “perceber o que mais poderia ter sido feito o Governo britânico para garantir as libertações e se os comentários preguiçosos do primeiro-ministro pioraram a situação”. 

Rayner referia-se ao comentário incorrecto de Boris Johnson enquanto ministro dos Negócios Estrangeiros, em 2017, de que Nazanin Zaghari-Ratcliffe tinha ido ao Irão dar aulas de jornalismo, o que terá alegadamente contribuído para agravar a sentença de prisão.

O vice-primeiro-ministro, Dominic Raab, que representou Boris Johnson devido à ausência deste em viagem à Arábia Saudita, garantiu que foi feito “absolutamente tudo” o que era possível em termos diplomáticos para libertar a anglo-iraniana e criticou a oponente.

“Ela não deveria ajudar o regime despótico que deteve os nossos cidadãos no Irão ou em todo o mundo, sugerindo que é responsabilidade dos outros e não deles”, afirmou. 

BM (CSR) // JH

Lusa/Fim

By Impala News / Lusa

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