Governador do BdP “cético” sobre avanços na reforma do euro na cimeira europeia

Carlos Costa disse-se “cético quanto a avanços concretos” para a reforma da União Económica e Monetária, apelando à “vontade negocial” e “capacidade de compromisso”.

Governador do BdP

Governador do BdP “cético” sobre avanços na reforma do euro na cimeira europeia

Carlos Costa disse-se “cético quanto a avanços concretos” para a reforma da União Económica e Monetária, apelando à “vontade negocial” e “capacidade de compromisso”.

Lisboa, 03 nov (Lusa) — O governador do Banco de Portugal (BdP), Carlos Costa, disse-se hoje “cético quanto a avanços concretos” para a reforma da União Económica e Monetária na próxima cimeira europeia, apelando à “vontade negocial” e “capacidade de compromisso”.

“A União Europeia (UE) está confrontada com grandes desafios que exigem decisões corajosas”, disse Carlos Costa na abertura de um seminário sobre a reforma da União Económica e Monetária (UEM), em Lisboa, organizado pelo BdP.

Para o governador, a UEM é “uma pedra basilar” da União e o adiamento da sua reforma comporta “riscos significativos”, uma vez que ela é hoje “muito mais complexa e muito mais heterogénea” do que no seu início.

“É um passo importante que deve ser dado no próximo Conselho Europeu”, “só possível se os líderes tiverem vontade negocial e capacidade de compromisso, uma visão do futuro do todo e não apenas das agendas nacionais”, afirmou.

“Nos tempos de divisão que atravessamos e à luz da evolução das negociações de dossiers cruciais para a UEM, nomeadamente os relacionados com a conclusão da união bancária, devo confessar que estou cético quanto aos avanços concretos que poderão resultar da cimeira. Para bem do futuro da Europa, gostaria bem de estar enganado”, disse.

Carlos Costa frisou que os dois pilares implementados e operacionais na união bancária, os mecanismos únicos de supervisão e de resolução, exigem um sistema comum de garantia e um mecanismo financeiro comum, sem os quais “a arquitetura da união bancária fica desequilibrada”.

Isso ocorre, explicou, porque enquanto não for completada, a união bancária assenta na “assimetria entre quem tem o poder de tomar decisões e quem tem a responsabilidade pelo sistema financeiro”, em que “as autoridades nacionais permanecem responsáveis, mas dependem e estão condicionadas por decisões tomadas no plano europeu”.

MDR // CSJ

By Impala News / Lusa

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