FMI diz que Itália deve respeitar as regras da UE

A diretora do Fundo Monetário Internacional reiterou que a Itália deve respeitar as regras da UE em termos de disciplina fiscal, depois de o Governo populista italiano ter reafirmado que vai manter as previsões orçamentais.

FMI diz que Itália deve respeitar as regras da UE

FMI diz que Itália deve respeitar as regras da UE

A diretora do Fundo Monetário Internacional reiterou que a Itália deve respeitar as regras da UE em termos de disciplina fiscal, depois de o Governo populista italiano ter reafirmado que vai manter as previsões orçamentais.

“Quando se pertence a um clube e se decide ficar lá, é preciso respeitar as regras do clube”, avisou Christine Lagarde, à margem da assembleia anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, que decorre até domingo, em Bali, na Indonésia.

Lagarde insistiu que existe uma grande “uma distância” entre a “retórica do Governo italiano e os números finais” do orçamento do país.

Roma apontou para um crescimento de 1,5%, enquanto o gabinete parlamentar do orçamento (UPB) previu um crescimento entre 1,1% e 1,3%, e outras instituições, como o FMI, anteciparam uma expansão de 1%.

Na terça-feira à noite, o UPB, organismo cuja missão é verificar a conformidade dos objetivos orçamentais com os parâmetros fixados pela UE, rejeitou as previsões do projeto de lei das finanças para 2019, considerando-as demasiado otimistas.

Na quarta-feira, na comissão parlamentar de Finanças italiana, o ministro que tutela a área, Giovanni Tria, disse que as previsões do UPB têm como base dados “parciais e obsoletos” e confirmou os números do governo, que prevê um défice de 2,4% no próximo ano.

O aviso do UPB é mais “um estímulo para agir do que uma razão para baixarmos as ambições” italianas, acrescentou.

Os dois vice-primeiros-ministros, Matteo Salvini, líder da Liga (extrema-direita) e Luigi Di Maio, dirigente do Movimento Cinco Estrelas (antissistema), também voltaram a defender o projeto orçamental, que suscitou críticas da Comissão Europeia, do Banco de Itália e do Tribunal de Contas.

“A lei de finanças não vai mudar”, repetiu Salvini. “Não vamos recuar porque é um orçamento que ajuda o país. Ponto”, insistiu.

No meio da preocupação em torno do orçamento, os juros da dívida de Itália têm vindo a subir nos últimos dias. O Estado italiano colocou hoje seis mil milhões de euros em obrigações do Tesouro a uma taxa de 0,949%, a mais alta em cinco anos e muito acima do verificado na última emissão, em setembro.

Nas próximas semanas, as agências de notação financeira Moody’s e S&P devem pronunciar-se sobre a dívida de Itália.

MIM (EO) // EJ

By Impala News / Lusa

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