Fações palestinianas retomam diálogo de reconciliação na Argélia 15 anos depois

As fações políticas palestinianas, grupo islâmico Hamas e partido secular Fatah incluídos, confirmaram hoje que se reunirão em outubro na Argélia para retomar o diálogo de reconciliação nacional, interrompido há 15 anos num contexto de revolta sangrenta.

Fações palestinianas retomam diálogo de reconciliação na Argélia 15 anos depois

Fações palestinianas retomam diálogo de reconciliação na Argélia 15 anos depois

As fações políticas palestinianas, grupo islâmico Hamas e partido secular Fatah incluídos, confirmaram hoje que se reunirão em outubro na Argélia para retomar o diálogo de reconciliação nacional, interrompido há 15 anos num contexto de revolta sangrenta.

“O objetivo de retomar o diálogo de reconciliação é acabar com a divisão interna e recuperar a unidade entre os palestinianos para fazer frente à atual política israelita”, declarou Wasel Abu Yousef, membro da comissão executiva da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), que historicamente agrupou a maior parte das fações palestinianas.

As reuniões, que começarão em 02 de outubro, por iniciativa do Presidente argelino, Abdelmajid Tebboune, contarão com a participação de 14 fações palestinianas, incluindo os líderes da Fatah, do Hamas e da Jihad Islâmica Palestiniana (YIP), precisou o responsável da OLP à imprensa na cidade cisjordana de Ramallah.

O Hamas, que governa ‘de facto’ a Faixa de Gaza desde 2007, confirmou que Khalil al-Haya, membro do seu gabinete político, liderará a sua delegação à reunião na Argélia.

A Fatah, liderada pelo Presidente palestiniano, Mahmud Abbas, e que governa áreas reduzidas da Cisjordânia ocupada, por meio da Autoridade Palestiniana, confirmou através de Azam el-Ahmad, membro do comité central do partido e encarregado do diálogo com o Hamas, que foi convidada para o evento.

Os partidos islâmicos como o Hamas e a Jihad Islâmica Palestiniana, considerados terroristas pelos Estados Unidos da América, a União Europeia e Israel, não integram a OLP, que é maioritariamente controlada pela Fatah.

A luta pelo poder entre o Hamas e a Fatah atingiu o seu auge em 2007, quando o grupo islâmico assumiu o controlo absoluto da Faixa de Gaza, em 15 de junho de 2007, e abandonou o Governo de unidade nacional acordado meses antes, após cinco dias de luta fratricida, batizada como “Batalha de Gaza”, que fez cerca de 120 mortos.

Tal culminou com a expulsão do enclave de todos os funcionários ligados à Fatah, a rutura do Hamas com a Autoridade Palestiniana, a divisão do território palestiniano e a polarização do seu povo.

Desde então, as disputas com a Fatah e o bloqueio de Israel à Faixa de Gaza mantêm os habitantes do território isolados, empobrecidos e sem expectativas de mudança.

Nos últimos 15 anos, não se realizaram eleições nem na Faixa de Gaza nem na Cisjordânia.

A Argélia e o Egito querem obter a reconciliação palestiniana antes da realização da cimeira da Liga Árabe, em novembro, pelo que o Governo argelino recebeu, nas últimas semanas, representantes das várias fações palestinianas para preparar o diálogo.

A anterior sessão de diálogo decorreu no Cairo em 2016, e a aplicação dos acordos alcançados foi impedida pelas profundas divergências em questões relacionadas com a segurança e a cobrança de impostos na Faixa de Gaza.

ANC // LFS

By Impala News / Lusa

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