Expectativa, festa e apreensão entre brasileiros que votam em Lisboa

Expectativa, festa e apreensão entre brasileiros que votam em Lisboa

NaAlameda da Universidade de Lisboa, são esperados, até final do dia, milhares de brasileiros para uma das mais expectantes eleições do Brasil, face ao crescimento da extrema-direita.

Lisboa, 07 out (Lusa) – Expectativa, festa e apreensão marcam hoje a votação na Alameda da Universidade de Lisboa, onde são esperados até final do dia milhares de brasileiros para uma das mais expectantes eleições do Brasil, face ao crescimento da extrema-direita.

As filas para as 27 sessões de voto na Faculdade de Direito de Lisboa foram crescendo ao longo do dia e os mais de 21.000 cidadãos com passaporte brasileiro que se registaram até março esperavam a oportunidade de registar o seu boletim.

Nas filas, eleitores com camisolas frases de apoio ou fotografias dos candidatos à Presidência do Brasil, equipamentos da seleção nacional de futebol ou até mesmo bandeiras à volta do corpo.

Ocasionalmente, um apoiante de Jair Bolsonaro – da extrema-direita e o favorito nas sondagens para a Presidência do Brasil – gritava, a plenos pulmões, o nome do candidato do topo da escadaria da Faculdade, ao que outros apoiantes respondiam com aplausos e gritos de apoio.

Solange Pinheiro está em Portugal há mais de 30 anos e não teve problemas em confessar à Lusa que votou Bolsonaro. Diz ser um fator necessário, comparando a eleição do candidato do Partido Social Liberal (PSL) a uma “quimioterapia de quatro anos”.

“Nas últimas semanas nós percebemos que estamos tirando o que não está dando certo. Nós não somos Bolsonaro, nós estamos Bolsonaro porque ficamos sem opção. Nenhum dos extremos é bom para nada (…), então nós vamos tirar o que está muito errado há 16 anos. Tira-se o tumor e durante quatro anos vai ser uma quimioterapia”, afirmou.

Solange considera Bolsonaro “providencial”, uma vez que “dá a certeza de tirar o que está errado”.

Ainda assim, a brasileira acredita que Bolsonaro, se vencer, deverá agir de forma diferente das polémicas posições que tem assumido ao longo dos anos durante o mandato, caso queira alcançar a reeleição.

“Ele vai ter consciência que se não fosse pelo motivo de tirar o que estava ruim e sobrou ele para ganhar – porque o meu voto não era Bolsonaro -, ele vai aproveitar a oportunidade para passar a ser um candidato legítimo e que vão votar nele na reeleição, e não no Amoêdo”, constatou Solange.

Ao final da manhã de votação, José Roberto Pinto, cônsul-geral do Brasil em Lisboa, confirmou à Lusa existir uma afluência “muito intensa” às urnas na capital portuguesa.

“As eleições abriram, como era previsto, precisamente às oito da manhã e (…) o movimento [de eleitores] tem sido contínuo”, disse o diplomata, na Faculdade de Direito de Lisboa, onde estão 27 sessões eleitorais.

Numa dessas filas para votar estava Amélia Brito, 66 anos. Nasceu em Portugal, é filha de mãe brasileira e optou por escolher a nacionalidade da progenitora. Agora, conta, a apreensão é com o futuro do Brasil.

“Espero que os direitos das pessoas não sejam afetadas pela eleição do novo Presidente, que receio que seja ‘o coiso'”, disse Amélia, referindo-se a uma das alcunhas que os contestatários foram atribuindo a Jair Bolsonaro.

A luso-brasileira vê o futuro “assustador”, acrescentando que o Bolsonaro “é fascista”.

“Eu já vivi o fascismo. Sei o que é o fascismo e não quero o fascismo para o Brasil e para a minha família”, afirmou.

Já para Daniel, brasileiro que vive em Portugal há oito anos, o aparecimento de Bolsonaro foi sintomático da corrupção vivida no Brasil.

“O aparecimento do Jair foi nada mais que a revolta da população com a corrupção que houve. Durante vários anos houve essa corrupção, que o mundo inteiro sabe, e as pessoas estão revoltadas e estão procurando uma melhoria para o país”, salientou Daniel, que espera que o país “melhore” com o candidato do PSL.

No final de uma espera de vários minutos para votar, também Marco António Marco justificava o aparecimento de Bolsonaro com “o ressurgimento do espírito conservador” do Brasil.

“Eles falam que são fascistas. Fascista, não. O brasileiro é conservador”, exclamou.

Já Carlos Novais foi à Alameda da Universidade de Lisboa com uma camisola onde se lê “Antifascista”, acreditando que Bolsonaro não irá vencer hoje. Apesar disso, comunga da preocupação com o futuro do Brasil.

“Acho que há muito mais uso de ‘medias’ sociais e desinformação e manipulação, do que propriamente intenção de voto e eu tenho a certeza que o Brasil vai dizer ‘não’, ‘ditadura nunca mais’ e ‘ele não’, tenho a certeza”, desabafou, à Lusa.

Carlos culpou o não conhecimento da história para a situação que considera que o Brasil enfrenta.

“Essa desinformação leva as pessoas a um desespero e é como já foi dito: quem não conhece a sua história, é destinado a repeti-la, e acho que essa supressão do pensamento crítico que aconteceu no período da primeira ditadura colhe os seus frutos hoje”.

Para Carlos Novais, a solução passa pelo diálogo e pelo ensino da política.

“É preciso politizar, é preciso falar sobre política e discutir e conversar com as pessoas sem ofender, porque a democracia se constrói sobre o diálogo”, concluiu.

O Brasil realiza hoje eleições presidenciais, para o parlamento (Câmara dos Deputados e Senado) e para representantes dos governos regionais.

JYO // PVJ

By Impala News / Lusa


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