EUA denuncia que Moscovo faz deportações forçadas de ucranianos

Moscovo tem realizado deportações forçadas de ucranianos para zonas do leste do país que controla, nomeadamente na região de Donetsk, onde criou 21 locais para estas atividades, denunciou hoje um relatório norte-americano.

EUA denuncia que Moscovo faz deportações forçadas de ucranianos

EUA denuncia que Moscovo faz deportações forçadas de ucranianos

Moscovo tem realizado deportações forçadas de ucranianos para zonas do leste do país que controla, nomeadamente na região de Donetsk, onde criou 21 locais para estas atividades, denunciou hoje um relatório norte-americano.

O programa ‘observatório de conflitos’, apoiado pelo Departamento de Estado, divulgou hoje um relatório onde é referido que existe um “sistema de filtragem” criado pela Rússia antes da invasão da Ucrânia e que cresceu após a captura de Mariupol em abril.

Em Donetsk, operam pelo menos 21 instalações que fazem parte do sistema de escolha, refere o relatório elaborado pelo Yale Humanitarian Research Lab.

“As potências ocupantes em conflitos internacionais têm o direito de registar pessoas dentro de sua área de controlo (…). No entanto, o aparente sistema de filtragem da Rússia para pessoas dentro da região de Donetsk, que inclui o uso de detenção extrajudicial e incomunicável, viola vários elementos do direito internacional humanitário e levanta várias questões potencialmente graves de direitos humanos”, salienta o observatório.

Quer o observatório, quer o Departamento de Estado norte-americano exortam a Rússia a “interromper imediatamente as suas operações de filtragem e deportações forçadas e a fornecer a observadores externos independentes acesso a instalações identificadas e áreas de realocação de deportação forçada dentro das áreas controladas pela Rússia da Ucrânia e dentro da própria Rússia”.

O ‘observatório de conflitos’ salienta ainda que as condições destes espaços, segundo relatos de testemunhas libertadas das instalações, pode “constituir tratamento cruel, desumano e degradante sob o direito internacional humanitário e de direitos humanos”.

“Essas condições incluem instalações superlotadas, falta de acesso a saneamento adequado, alimentação insuficiente e água potável, exposição aos elementos, negação de assistência médica e uso de isolamento. Em alguns casos específicos, o tratamento descrito como sofrido pelos libertados, como o uso de choques elétricos, condições extremas de isolamento e agressão física, pode constituir tortura se comprovado”, aponta.

O observatório alerta ainda que descobriu “terra remexida” consistente com potenciais sepulturas na prisão de Olenivka, na região de Donetsk, durante “dois períodos de tempo”.

Este estabelecimento prisional controlado pelos russos foi alvo de uma explosão em 29 de julho que matou 53 prisioneiros de guerra ucranianos, segundo as autoridades de Kiev.

Mas “o aparecimento de sítios de terra remexida em imagens de satélite é anterior à explosão”, especifica o relatório.

O Departamento de Estado norte-americano reconheceu ainda a necessidade de “documentação, verificação e divulgação” das ações do governo russo, tendo atribuído um financiamento adicional de nove milhões de dólares ao observatório.

Outros relatórios já elaborados pelo organismo detalham danos em instalações de saúde e educacionais na região de Lugansk, enquanto um trabalho recente do parceiro Smithsonian Cultural Rescue Initiative, identifica mais de 450 impactos potenciais em locais de património cultural em toda a Ucrânia, entre fevereiro e junho.

“Juntos, estes e outros relatórios confiáveis narram vários aspetos da carnificina desencadeada pela brutal invasão da Ucrânia pelo presidente Putin”, conclui o Departamento de Estado.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de quase 13 milhões de pessoas — mais de seis milhões de deslocados internos e quase sete milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU.

Na guerra, que hoje entrou no seu 183.º dia, a ONU apresentou até agora como confirmados 5.587 civis mortos e 7.890 feridos, sublinhando que os números reais são muito superiores e só serão conhecidos no final do conflito.

DMC // CC

By Impala News / Lusa

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