“Estão a roubar o nosso voto”, ouve-se em bairros de Luanda

Nos bairros periféricos da capital angolana são muitos os que consultam as atas das eleições gerais de quarta-feira e o descontentamento é evidente perante os resultados afixados em cada assembleia de voto e os números anunciados pela Comissão Nacional Eleitoral.

“Estão a roubar o nosso voto”, ouve-se em bairros de Luanda

Nos bairros periféricos da capital angolana são muitos os que consultam as atas das eleições gerais de quarta-feira e o descontentamento é evidente perante os resultados afixados em cada assembleia de voto e os números anunciados pela Comissão Nacional Eleitoral.

“Estão a roubar o nosso voto”, diz Mauro Jorge, junto à Assembleia 832, em Viana. Ali, junto ao Instituto Superior Técnico Militar, a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) ganhou com grande margem, mesmo com um universo eleitoral com muitos elementos das forças de defesa.

“O que ontem a TPA [Televisão Pública de Angola] passou são números apenas. Podiam ser aqueles ou outros, é só inventar. Queremos a contagem a partir das atas-síntese afixadas em cada sítio”, disse Mauro Jorge, referindo-se aos dados preliminares da CNE, que indicam que MPLA venceu as eleições com 52,8% das votos, seguido da UNITA (oposição), com 42,8%, quando estão escrutinados 86,41% dos votos.

Nestas eleições, pela primeira vez, estão a ser afixadas em local público, assembleia a assembleia as atas-síntese de cada mesa de voto e hoje de manhã eram visíveis aglomerações de pessoas junto aos papéis, para confirmar os resultados.

Aos 27 anos, Mauro Jorge votou na quarta-feira pela primeira vez. “Antes não acreditava na política. Mas hoje quero a mudança e não me vou calar. Se todo o mundo tem alternância porque é que Angola não pode ter?”.

“E se o Adalberto [Costa Júnior, líder da UNITA] não fizer a coisa certa no Governo nas próximas eleições pomos outro partido lá no Governo. Queremos que os políticos ouçam o povo”, acrescenta Mauro Jorge.

Noutra mesa de voto, António Videira, 46 anos, também votou na UNITA. “A primeira vez que votei foi no regime, mas hoje não. Hoje é para mudar isto”, explica.

E perante a discrepância dos resultados preliminares anunciados e as atas publicadas junto às mesas de voto há quem defenda que os eleitores devem “fazer pressão”.

“A CNE tem de aceitar o voto do povo. Sabemos como acontece a democracia nos outros países, porque é que Angola é diferente” — questiona, desalentado, António Videira.

Nos grupos de ‘whatsapp’ e nas redes sociais circulam fotos de atas-síntese de Luanda e de várias províncias angolanas com a vitória da UNITA.

“Até no Quilamba e no Paz Flor, mano. Até lá, onde só vivem os ricos, a UNITA ganhou, mano. Como é possível mano? O MPLA levou um banho e agora estão-nos a batotar”, diz André, indignado com os dados oficiais divulgados

André vai mais longe e diz que a solução para as eleições tem de ser transparente. “Tem de ser ata-síntese a ata-síntese, tudo bem contado que nós temos as fotos. E se não aceitarem temos de ir fazer pressão junto da casa do presidente da CNE que não nos pode roubar”, avisa.

Rui Santos, 32 anos, vai mais longe: “Isto só se resolve com o povo na rua lá até ao palácio [presidencial].

 

PJA // VM

By Impala News / Lusa

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