Espanha quintuplicou financiamento contra pobreza infantil, diz alto comissário

Espanha quintuplicou o orçamento para combater a pobreza infantil, nos últimos quatro anos, destacou o Alto Comissário para a Luta contra a Pobreza Infantil espanhol, que esteve em Lisboa para participar numa iniciativa da Unicef.

Espanha quintuplicou financiamento contra pobreza infantil, diz alto comissário

Espanha quintuplicou financiamento contra pobreza infantil, diz alto comissário

Espanha quintuplicou o orçamento para combater a pobreza infantil, nos últimos quatro anos, destacou o Alto Comissário para a Luta contra a Pobreza Infantil espanhol, que esteve em Lisboa para participar numa iniciativa da Unicef.

Em entrevista à Lusa, Ernesto Gasco — que participou numa conferência sobre infância promovida pela Unicef Portugal na Assembleia da República, na semana passada — reconheceu que Espanha “está muito acima da média europeia em exclusão, em desigualdade, em pobreza infantil”.

O país tem um índice de pobreza infantil “histórico” — aliás, maior do que o português, assinalou.

“Em Espanha, fez-se muito pouco até agora. Até 2018, o orçamento para combater a desigualdade na infância rondava os 350 milhões de euros. Neste momento, já quase multiplicámos por cinco, estamos em mais de 1.500 milhões”, apontou.

Foi perante este cenário, lembrou o representante, que o Governo de Pedro Sánchez criou o alto comissariado e afirmou a intenção de “fazer políticas transversais”, cujos resultados só serão visíveis “nos próximos anos”.

O objetivo é “reduzir os índices de pobreza e chegar à média europeia em 2030”, assumiu o comissário.

Apesar do aumento do orçamento, Espanha continua a ser “muito desigual”, reconheceu Ernesto Gasco, que foi conselheiro municipal durante 20 anos em San Sebastián (País Basco, norte de Espanha), realçando que as políticas locais e regionais, quando pensadas a longo prazo, conseguem formar redes de proteção das crianças mais eficazes.

Por outro lado, frisou Gasco, há que prestar atenção às cidades: “Historicamente, a pobreza infantil existia mais no sul do que no norte de Espanha, mas estamos a detetar que nas grandes áreas metropolitanas, por causa do aumento dos preços da habitação, estão a ser geradas novas bolsas de desigualdade, sobretudo em torno de Madrid e Barcelona. Dos 2,2 milhões de crianças que temos nessa situação, 400 mil vivem na comunidade de Madrid”.

Sobre o impacto da pandemia de covid-19 nos mais vulneráveis, entre os quais as crianças, Gasco destacou o “escudo social” adotado pelo atual Governo do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol).

“Estamos com 2,2 milhões de crianças em situação de pobreza e vulnerabilidade. Se não tivéssemos adotado este escudo social, neste momento teríamos quase três milhões, um milhão mais… Contivemos a situação de vulnerabilidade”, apontou.

Com as medidas sociais adotadas, Espanha conseguiu “dissipar as desigualdades geradas pela pandemia em tempo recorde”, disse o alto comissário, assumindo o receio face ao impacto da atual crise energética e de inflação.

No contexto da União Europeia (UE), a pobreza infantil é mais visível no sul da Europa, onde “há maior desigualdade social e menos coesão social”, explicou, reconhecendo que, “nos países mediterrânicos, a origem e o rendimento familiares marcam muito, ainda, as possibilidades de desenvolvimento futuro”.

Ora, “a pobreza infantil não é só monetária, também é cultural”, recordou o alto comissário, mencionando o programa em curso, financiado em 220 milhões de euros, para formação e capacitação digital dos jovens de 10 a 17 anos em situação de vulnerabilidade, na premissa de garantir “igualdade de oportunidades para os empregos do futuro”.

Um plano de combate à obesidade infantil, porque “é mais alta nas famílias mais vulneráveis”, é outra das medidas adotadas.

De Portugal, Espanha encontrou inspiração na escola infantil universal para crianças de 1 a 2 anos. “Portugal vai um pouco mais avançado neste domínio”, elogiou.

SBR // SCA

By Impala News / Lusa

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