Escritor Juan Tomás Ávila diz que Obiang nunca cumprirá exigências da CPLP

O escritor equato-guineense Juan Tomás Ávila disse, em entrevista à agência Lusa, que existe uma “pena de morte oficiosa” na Guiné Equatorial que não acabará, defendendo que o Presidente Obiang jamais cumprirá as exigências da comunidade lusófona.

Escritor Juan Tomás Ávila diz que Obiang nunca cumprirá exigências da CPLP

Escritor Juan Tomás Ávila diz que Obiang nunca cumprirá exigências da CPLP

O escritor equato-guineense Juan Tomás Ávila disse, em entrevista à agência Lusa, que existe uma “pena de morte oficiosa” na Guiné Equatorial que não acabará, defendendo que o Presidente Obiang jamais cumprirá as exigências da comunidade lusófona.

“Para o público e para a Comunidade de Países de Língua Portuguesa [CPLP], a Guiné Equatorial até pode abolir a pena de morte, mas o que acontece é que há uma pena de morte oficiosa. Ainda que oficialmente digam que não há pena de morte, as pessoas morrem de forma secreta”, disse.

Autor de livros como “Arde o monte durante a noite (2009)”, “A Carga (1999)” ou “Avião de ricos, ladrão de porcos (2008)”, Juan Tomás Ávila Laurel deixou a Guiné Equatorial em 2011 após uma greve de fome contra o regime do Presidente, Teodoro Obiang, há 40 anos no poder.

Desde então a residir em Espanha, a vida do escritor é contada no novo documentário do jornalista catalão Marc Serena “O escritor de um país sem livrarias”, que tem estreia marcada para 23 de outubro, durante a Semana Internacional do Cinema de Valladolid (SEMINCI).

Ávila Laurel (1966) nasceu em Ano Bom, uma pequena ilha no Atlântico pertencente à Guiné Equatorial, mas viveu sobretudo na capital, Malabo, tendo estado recentemente no país para a rodagem do documentário.

“Desde 2013, que vou à Guiné e regresso a Espanha sem problemas. Quando me perguntam se não me fizeram mal, o mais provável é que tenham pensado em alguma armadilha ou em acusar-me de alguma coisa. Mas vou tranquilo porque é o lugar onde deveria viver e não posso passar toda a vida com medo”, disse.

O escritor garante que “deixou de ter medo” apesar dos abundantes exemplos de pessoas desaparecidas misteriosamente, incluindo o de um ex-vice-presidente do país que após vários anos exilado em Espanha regressou à Guiné Equatorial e em duas semanas morreu.

“Oficialmente podem dizer que não condenam ninguém à pena de morte, mas enquanto isso morrem pessoas nas prisões, que foram torturadas. A CPLP é uma coisa de políticos que querem fazer um pouco um jogo para que as coisas na galeria sejam vistas de determinada maneira e justifiquem a inclusão de Obiang” na comunidade, adiantou.

“Obiang não cumprirá nada, nunca deixará de ser má pessoa, mau político e mau presidente”, acrescentou.

Sobre o documentário, Ávila Laurel espera conseguir alertar as pessoas para a situação que se vive na Guiné Equatorial.

“Há muitíssima gente que não sabe que a Guiné Equatorial existe, nem qual a situação em que se vive. O documentário é um meio novo para fazer uma aproximação à Guiné Equatorial”, disse.

O documentário acompanha o dia a dia do escritor como forma de dar a conhecer o quotidiano de um país.

“Os [restantes Estados] da CPLP deviam saber que na capital [Malabo] ainda não há água potável. Insistir na questão da pena de morte é uma maneira de lavar a imagem [do regime] quando verdadeiramente estamos a sofrer e não há condições para que as pessoas vivam ou possa tratar-se das doenças”, exemplificou.

A Guiné Equatorial é um dos nove Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a que aderiu em 2014, mediante um roteiro que incluía a disseminação da língua portuguesa, a melhoria da situação dos direitos humanos e a abolição da pena de morte.

As autoridades reclamam que desde a adesão está em vigor uma moratória sobre a pena de morte e o Presidente Obiang prometeu, em entrevista à Lusa em julho, que a pena de morte será abolida no país até final do ano.

Um dos principais países produtores de petróleo da África Subsaariana, a Guiné Equatorial ocupa o 149.º lugar, em 189 países, do Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas.

Governada há 40 anos pelo Presidente Teodoro Obiang, que chegou ao poder através de um golpe de Estado, a riqueza da elite política que governa contrasta com a extrema pobreza em que vive a maioria dos seus cerca de 800 mil habitantes.

CFF // JH

By Impala News / Lusa

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