Escassez de gasóleo na Venezuela põe em risco transporte de alimentos para mercados

A Venezuela regista, há várias semanas, uma crescente escassez de gasóleo, combustível usado por produtores agrícolas e industriais, pondo em risco colheitas de produtos como o açúcar e o transporte de alimentos para os mercados.

Escassez de gasóleo na Venezuela põe em risco transporte de alimentos para mercados

Escassez de gasóleo na Venezuela põe em risco transporte de alimentos para mercados

A Venezuela regista, há várias semanas, uma crescente escassez de gasóleo, combustível usado por produtores agrícolas e industriais, pondo em risco colheitas de produtos como o açúcar e o transporte de alimentos para os mercados.

O alerta foi dado pelo presidente da Confederação Venezuela de Industriais (Conindústria), Adán Celis e ocorre num momento em que as indústrias venezuelanas “estão em sobrevivência”, tentando continuar em funcionamento num país em crise e com investimentos limitados ao mínimo em “manutenção e matéria prima”.

“As indústrias estão funcionamento apenas à volta de 20% da sua capacidade. Estamos em economia de sobrevivência. Desde há anos que não há (novos) investimentos. As estradas do interior do país estão destruídas e há sítios da Venezuela por onde não se pode circular porque estão ‘tomados’ por grupos irregulares”, disse aos jornalistas.

Adán Celis chama a atenção que “há uma grande destruição” na infraestrutura da Venezuela e que “o país real, não é o que se vê em Caracas”, onde as pessoas fazem apenas algumas horas de fila para abastecer-se de gasolina.

“O grande problema de agora é o gasóleo. Normalmente, os industriais têm tanques de reservas de gasóleo para um mês, para os instrumentos fundamentais e processos nas indústrias, mas o que temos em média, é para uma semana e alguns dias. Isso significa que alguns têm apenas combustível para dois ou três dias ou já estão paralisados”, disse.

Segundo o presidente de Conindústria, “a situação é crítica” e afeta também “o transporte, que leva matéria prima para as fábricas e os produtos aos centros de consumo”.

“Há centrais açucareiros que estão paralisando e se perderá a colheita de açúcar deste ano (…) Devido à escassez, há empresários do campo que pediram autorização para trazer gasóleo da Colômbia, porque não podem importar devido às regulações atuais, e não lhes responderam”, explicou.

Para os industriais de continuar a atual situação “virá um problema complexo para todos os venezuelanos, em todas as zonas do país”.

Entretanto, o presidente da Federação de Associações de Produtores de Cana, José Álvarez, anunciou que uma das principais fábricas de açúcar da Venezuela, paralisou as suas atividades devido à falta de gasóleo.

“Com pesar e grande preocupação, informo que a fábrica (de açúcar) de El Palmar em Aragua (100 quilómetros a oeste de Caracas), teve que paralisar-se devido à falta de gasóleo (…) O desespero está tomando conta de produtores e trabalhadores. Deus connosco!!!”, escreveu na sua conta do Twitter.

Numa outra mensagem José Álvarez diz sentir-se “absolutamente incapaz de entender como as autoridades” da Venezuela “podem permitir chegar a níveis em que está em risco a comida de todos”.

Hoje, a Federação de Produtores de Gado da Venezuela (Fedenaga) convocou os afiliados “a uma reunião de emergência”, para “analisar em termos quantitativos as consequências da carência de combustível e o seu impacto sobre a produção primária e na economia nacional” venezuelana.

Em comunicado, a Fedenaga explica ainda que o setor agroalimentar está afetado por uma “grave crise” devido às dificuldades para “mobilizar alimentos até às indústrias e aos centros de consumo”.

Desde 2012 que a Venezuela importa combustível e aditivos, devido a problemas com as refinarias internas e à crescente demanda no mercado interno.

Em 2014 surgiram denúncias de contrabando de combustível desde a Venezuela para países vizinhos, principalmente a Colômbia.

Em 2020 a Venezuela racionou a venda de combustível que passou a preços internacionais e recorreu a importações do Irão, devido a dificuldades para a sua obtenção, na sequência de sanções impostas pelos EUA.

FPG//RBF

By Impala News / Lusa

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