Emmanuel Macron tenta renovar maioria contra união das esquerdas

Um mês depois das eleições presidenciais que deram a vitória a Emmanuel Macron, começa hoje a campanha eleitoral para as eleições legislativas em que o Presidente vai tentar renovar a maioria contra uma esquerda organizada e unida.

Emmanuel Macron tenta renovar maioria contra união das esquerdas

Emmanuel Macron tenta renovar maioria contra união das esquerdas

Um mês depois das eleições presidenciais que deram a vitória a Emmanuel Macron, começa hoje a campanha eleitoral para as eleições legislativas em que o Presidente vai tentar renovar a maioria contra uma esquerda organizada e unida.

O calendário eleitoral em França faz com que no espaço de dois meses os gauleses escolham o Presidente e os 577 deputados que constituem a Assembleia Nacional, sendo que em França o Presidente é o líder do Governo, havendo muito em jogo nestas eleições legislativas que decorrem a 12 e 19 de junho para Emmanuel Macron.

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Desde logo, 15 dos seus ministros recém-nomeados, incluindo a primeira-ministra, Elisabeth Borne, são candidatos em diferentes círculos eleitorais. Se alguns têm a vida mais facilitada, como o ministro do Interior, Gerald Darmanin, antigo autarca de Tourcoing, no Norte, e candidato nessa circunscrição, ou a atual porta-voz do Governo, Olivia Grégoire, que se candidata em Paris, outros lutam pela eleição.

A disputa parece mais complicada para outros ministros como Brigitte Bourguignon, nova ministra da Saúde e antiga vice-presidente da Câmara de Boulogne-sur-Mer, que concorre em Nord-Pas-de-Calais, uma região em que Marine Le Pen ganhou nas presidenciais. Também em Essone, junto a Paris, a ministra do Ambiente, Amélie de Montchali, tem a vida dificultada ao tentar renovar o seu mandato de deputada face ao candidato da esquerda, o socialista Jérôme Guedj, num território onde Mélenchon ganhou a primeira volta das presidenciais.

A grande interrogação é Elisabeth Borne. É a primeira vez que a primeira-ministra se apresenta a eleições e foi-lhe concedido um círculo eleitoral onde tem algumas ligações familiares, mas onde não é especialmente conhecida. Para Borne e para os seus ministros, perder estas eleições significa perder o seu lugar no Governo, já que os ministros que não ganharem serão obrigados a sair do executivo.

Em termos gerais, segundo as sondagens, Emmanuel Macron deve renovar a maioria com uma sondagem do gabinete OpinionWay-Kéa Partners para o jornal “Les Echos” a apontar que o partido do Presidente, o República em Marcha (que vai passar a chamar-se Renascimento), pode obter entre 295 a 335 deputados, com a coligação de esquerda Nova União Ecológica e Social Popular (Nupes) a ganhar terreno.

A Nupes, que agrupa o movimento França Insubmissa de Jean-Luc Mélenchon, os comunistas, os ecologistas e os socialistas conseguiu reunir candidatos de diferentes sensibilidades políticas, mas também apresentou algumas surpresas, como Rachel Keke, camareira de hotel que levou a cabo uma greve histórica no grupo de hotéis Accor, que se candidata em Val-de-Marne, na região parisiense, ou o matemático Cédric Villani, que em 2017 candidatou-se pela maioria presidencial em Essone, mas agora se recandidata pela esquerda.

No entanto, a coligação perde algum gás com a cedência do círculo eleitoral histórico de Jean-Luc Mélenchon para o seu braço direito, Manuel Bompard, em Marselha, e com muitos socialistas a apresentarem candidaturas dissidentes. Só na região da Occitânia, onde dos 49 círculos eleitorais, os socialistas só tiveram direito a nove candidaturas, muitos círculos apresentam dissidentes de esquerda.

A dissidência à esquerda é liderada pela socialista Carole Delga, presidente da região da Occitânia, que qualifica o acordo da Nupes, que a nível nacional só deu 70 candidaturas aos socialistas, de “acordo de submissão” a Jean-Luc Mélenchon e “manipulação eleitoral”.

Através da sua implementação local, Os Republicanos esperam manter ou aumentar os 112 deputados de direita que tinham em 2017. No entanto, devido ao mau resultado nas presidenciais, o partido encontra-se atualmente sem uma liderança firme, com algumas figuras a figurarem nas listas de Emmanuel Macron.

Ao contrário da esquerda, a extrema-direita não se entendeu para um acordo, com os partidos de Marine Le Pen e de Éric Zemmour a concorrerem um contra o outro em muitos círculos eleitorais. Do lado de Marine Le Pen, segunda classificada nas presidenciais, há muitas expectativas de conseguir eleger pelo menos 15 deputados, algo que lhe permitiria ter um grupo parlamentar e, assim, ter direito a tempo de palavra na Assembleia Nacional, assim como presidir a comissões.

Este período pré-eleitoral tem sido ensombrado por acusações de violência sexual contra diferentes candidatos às legislativas. Taha Bouhafs, candidato nas listas da Nupes, terá sido acusado de violência sexual e sexista, sendo excluído das listas quando o caso foi tornado público, e o candidato Jérôme Peyrat, deputado da maioria presidencial e condenado por violência doméstica, acabou por retirar-se também da corrida.

O caso do ministro da Solidariedade, Damien Abad, ex-lider dos deputados de Os Republicanos, que se aproximou de Emmanuel Macron, continua também a dar que falar e a suscitar muitas questões por parte dos meios de comunicação franceses. Pelo menos duas mulheres acusam o ministro e candidato às eleições legislativas de violação, com Abad a manter tanto as funções de ministro como a sua candidatura.

Estas eleições em França têm duas voltas. De forma a vencer na primeira volta, que se realiza a 12 de junho, o vencedor tem de reunir 50% dos votos que representem pelo menos 25% dos eleitores inscritos. Quando isto não acontece, passam à segunda volta, que se realiza no dia 19 de junho, todos os candidatos que tenham obtido votos equivalentes a mais de 12,5% dos inscritos ou dois candidatos mais votados.

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