Dia mundial de liberdade de imprensa assinalado em São Tomé e Príncipe com críticas ao Governo

O presidente da Associação dos jornalistas São-tomenses (AJS), Juvenal Rodrigues, considerou que a situação dos profissionais da comunicação social assemelha-se a de um “país que vive num estado de exceção disfarçado”.

Dia mundial de liberdade de imprensa assinalado em São Tomé e Príncipe com críticas ao Governo

Dia mundial de liberdade de imprensa assinalado em São Tomé e Príncipe com críticas ao Governo

O presidente da Associação dos jornalistas São-tomenses (AJS), Juvenal Rodrigues, considerou que a situação dos profissionais da comunicação social assemelha-se a de um “país que vive num estado de exceção disfarçado”.

São Tomé, 03 mai (Lusa) – O presidente da Associação dos jornalistas São-tomenses (AJS), Juvenal Rodrigues, considerou hoje que a situação dos profissionais da comunicação social assemelha-se a de um “país que vive num estado de exceção disfarçado”.


“Parece que o país vive num estado de exceção disfarçado, porque há comissários políticos e agentes que gravam conversas, mesmo em situações de convívio”, disse Juvenal Rodrigues na IV conferência anual por ocasião de 03 de maio, Dia Internacional de Liberdade de Imprensa.


“Existe a perceção de que os telefones estão sob escuta, há um clima de desconfiança generalizada, porque o amigo pode ser informante, na lógica de dividir para reinar”, acrescentou Juvenal Rodrigues, que denunciou também uma “tentativa de asfixiar economicamente” esses profissionais.


Ao viver num quadro como este na comunicação social são-tomense, segundo o presidente da AJS “não se pode falar verdadeiramente de um Estado de Direito Democrático”.


“O democrata convicto não tem medo do contraditório, não receia críticas e não alimenta a bufaria”, acrescentou.


O presidente do sindicato dos jornalistas e técnicos da comunicação social (SJS), Helder Bexigas, denunciou, por seu lado, a marginalização de alguns jornalistas nos órgãos públicos.


“Profissionais experientes e competentes são marginalizados, humilhados e silenciados, porque não se prestam a fazer o jogo da manipulação, da distorção dos factos e até da mentira”, disse Helder Bexigas.


“O medo de pluralismo de opiniões, o medo de um saudável debate e de confronto de ideias, o medo de que todos os setores da sociedade estejam representados na comunicação social permitindo ao grande publico formular juízos e opiniões com base numa informação séria, isenta e imparcial”, disse.


O Presidente são-tomense, Evaristo Carvalho, reconheceu a “luta visível” de muitos profissionais da comunicação social “para que a informação seja divulgada com rigor e verdade”.


“Ao assinalar esta data, não podia deixar de reconhecer e render a devida homenagem aos profissionais da comunicação social que sofreram e sofrem pressão e perseguição no exercício da função, o que condiciona a verdade das informações e dos factos”, disse o chefe de Estado.


“É total o meu reconhecimento pelo trabalho dos profissionais de imprensa estatal e privada no país e apelo para que os mesmos continuem a trabalhar com mais afinco e dedicação”, disse o chefe de Estado.


O governante baseou-se em “dados das instituições internacionais” que avaliam a liberdade de imprensa no mundo para referir, apesar de tudo que o seu país está colocado “em lugar de destaque a nível global, o que significa que a liberdade de imprensa e de expressão está salvaguardada”.


O presidente do Conselho Superior de Imprensa, o juiz do Tribunal de Primeira Instância, Patrick Lopes, defendeu uma comunicação social livre, independente e pluralista, que permita a todos os são-tomenses a terem acesso a uma informação credível e diversificada”.


“Só com esta oferta, onde se inclui a crescente informação produzida na internet estará a comunicação social em condições de ajudar a sociedade são-tomense a prosseguir com maior velocidade coerência, transparência e justiça”, explicou.


Depois de ouvir tantas críticas ao poder governamental, o Presidente da República prometeu que “trabalhar com os demais órgãos de soberania para que se afirme cada vez mais a liberdade de imprensa em São Tomé e Príncipe, conforme previsto na constituição da república”.



MYB // ARA

By Impala News / Lusa

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