Cristas ataca “ligeireza” de Costa, que responde não ser “agência de ‘rating'”

O Novo Banco esteve hoje no centro do “duelo” entre a líder do CDS e o primeiro-ministro, com Assunção Cristas a acusar António Costa de “ligeireza” e a ouvir como resposta que não é uma “agência de ‘rating'”.

Cristas ataca

Cristas ataca “ligeireza” de Costa, que responde não ser “agência de ‘rating'”

O Novo Banco esteve hoje no centro do “duelo” entre a líder do CDS e o primeiro-ministro, com Assunção Cristas a acusar António Costa de “ligeireza” e a ouvir como resposta que não é uma “agência de ‘rating'”.

No debate quinzenal com o primeiro-ministro, na Assembleia da República, em Lisboa, Assunção Cristas considerou graves as afirmações “ligeiras” de António Costa, na quarta-feira, quando se referiu a um “banco mau” e a um “banco péssimo” na divisão do BES em Novo Banco, ainda mais quando está “a operar no mercado”.

E se António Costa afirmou que não é “uma agência de ‘rating’ de bancos”, Assunção Cristas respondeu-lhe que, como chefe do Governo, tem que “ser mais responsável” com o que diz e “tem o dever de defender o interesse nacional”.

A líder centrista quis ainda saber se o primeiro-ministro tinha informação sobre serem ou não necessários mais fundos para o Novo Banco, ou se, como disse Catarina Martins, líder do BE, “haverá mais alguma coisa”, com a aproximação das eleições.

“Quando aprovou a venda do Novo Banco já sabia que havia uma responsabilidade contingente de 3,9 mil milhões de euros. Há mais imponderáveis?”, questionou Assunção Cristas.

“O Governo não dispõe de qualquer informação que venha a exigir da parte do Estado qualquer outra intervenção”, além dos 3,9 mil milhões de euros que decorrem do fundo de resolução, disse António Costa.

Nos quase dez minutos de perguntas e respostas, o primeiro-ministro ainda ironizou com o facto de a líder centrista “tratar os assuntos” do Novo Banco “por SMS e à saída da praia”, numa referência à decisão do Governo PSD/CDS-PP de separação do BES em dois.

A resolução, disse, colocou a gestão do Novo Banco na alçada do Banco de Portugal, lembrando, uma vez mais, que o seu Governo decidiu foi “um empréstimo ao Fundo de Resolução”, com um montante máximo definido e um prazo para os bancos devolverem a fim de 30 anos, e que recusou que “esse mecanismo fosse de garantia”.

Ainda assim, lendo um documento da Comissão Europeia, Assunção Cristas alertou que, num “cenário mais adverso”, o “Estado é responsável se se aperceber que os rácios [do banco] não vão ser cumpridos”.

“É um poço sem fundo”, afirmou.

Assunção Cristas desafiou ainda o primeiro-ministro e secretário-geral do PS a dizer se condena ou vai manter um “silêncio conivente” quanto aos líderes dos partidos socialistas de Malta e de Roménia suspeitos de casos de alegada corrupção, que envolvem fundos comunitários.

António Costa respondeu que estava no parlamento como primeiro-ministro e que, se Assunção Cristas quisesse falar com ele enquanto dirigente do PS, pedisse uma reunião no Largo do Rato, onde é a sede nacional dos socialistas, em Lisboa.

“Quando quiser falar com o líder do PS, recebo-a no Largo do Rato”, disse António Costa, que ouviu, por duas vezes, de Assunção Cristas que registava o seu silêncio sobre estes dois casos que o CDS-PP já levantou por três vezes desde sexta-feira.

E, independentemente de ter assinalado a convergência dos partidos quanto ao combate à violência doméstica – unidos num debate e num voto de pesar pelas vítimas, no início da sessão – a presidente do CDS-PP desafiou PS e Governo a passar das “proclamações às ações”.

Depois de recordar que os centristas têm pendente no parlamento uma série de projetos na área da justiça, incluindo alguns que se relacionam com esta temática, Assunção Cristas desafiou os socialistas a apresentarem as suas propostas para se poder fazer um debate e haver decisões.

NS // VAM

By Impala News / Lusa

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