Crise deixa reservas internacionais de Cabo Verde em mínimos

O FMI estima que as reservas cabo-verdianas, para importações de bens e serviços, caiam 100 milhões de euros em 2022, para 491 milhões de euros, o valor mais baixo em vários anos, face à escalada de preços internacional.

Crise deixa reservas internacionais de Cabo Verde em mínimos

Crise deixa reservas internacionais de Cabo Verde em mínimos

O FMI estima que as reservas cabo-verdianas, para importações de bens e serviços, caiam 100 milhões de euros em 2022, para 491 milhões de euros, o valor mais baixo em vários anos, face à escalada de preços internacional.

Com esse volume, um relatório deste mês do Fundo Monetário Internacional (FMI) que analisa a economia cabo-verdiana e que confirma a disponibilização de uma Linha de Crédito Alargada (ECF, na sigla em inglês), de cerca de 60 milhões de dólares (59,1 milhões de euros), prevê que essas reservas brutas, em moeda estrangeira, permitam apenas cinco meses das necessidades de importações estimadas pelo país até ao final do ano.

“A pandemia de covid-19 reverteu os ganhos das reservas internacionais brutas registadas em 2019”, refere-se no documento, justificando esse desempenho com a quebra nas receitas das exportações e nos fluxos de capital privado.

Cabo Verde não tem capacidade de refinação e quase 80% da produção de eletricidade depende da importação de combustíveis fósseis para as centrais térmicas. Além disso, segundo dados do Governo, devido à seca prolongada, de mais de quatro anos, o arquipélago também importa cerca de 80% dos alimentos que consome.

Essas importações estão a ser fortemente condicionadas pelo generalizado aumento dos preços no mercado internacional, provocando a subida de preços no mercado interno, o que levou o Governo a declarar há cerca de um mês a situação de emergência social e económica no país.

“Em Cabo Verde obviamente sentimos os fortes impactos na inflação, na deterioração do poder de compra das famílias, na segurança alimentar e nas perspetivas de crescimento económico. Estas são as razões para declarar situação de emergência social e económica em Cabo Verde derivada dos impactos da Guerra na Ucrânia”, afirmou o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva.

Estas reservas rondavam em 2019, antes da crise económica provocada pela pandemia de covid-19, os 666 milhões de euros, suficientes para nove meses de importações, tendo caído no ano seguinte para cerca de 582 milhões de euros e 7,1 meses de importações, segundo os dados do FMI.

Depois do aumento para mais de 591 milhões de euros (6,3 meses) no final do ano passado, o FMI estima que essas reservas possam cair praticamente 100 milhões de euros ao longo de 2022 (para 491 milhões de euros), recuperando no ano seguinte, para 544 milhões de euros (5,1 meses).

“No médio prazo”, o FMI projeta que as reservas de Cabo Verde “permaneçam estáveis”, garantindo “cinco a 5,2 meses” das necessidades de importações.

O arquipélago enfrenta uma profunda crise económica e financeira, decorrente da forte quebra na procura turística desde março de 2020, devido à pandemia de covid-19.

Em 2020, registou uma recessão económica histórica, equivalente a 14,8% do PIB, seguindo-se um crescimento de 7% em 2021 impulsionado pela retoma da procura turística. Para 2022, devido às consequências económicas da guerra na Ucrânia, nomeadamente a escalada de preços, o Governo cabo-verdiano baixou a previsão de crescimento de 6% para 4%.

O FMI aprovou em 16 de junho um acordo para uma Linha de Crédito Alargada de 60 milhões de dólares (59,1 milhões de euros) para Cabo Verde, com 15 milhões de dólares (14,8 milhões de euros) disponíveis para desembolso imediato.

Em comunicado, o conselho executivo do FMI divulgou na ocasião que se trata de um acordo de ECF a três anos, para o período de junho de 2022 a junho de 2025, para apoiar o arquipélago, através de direitos especiais de saque (SDR, na sigla em Inglês).

O pacote de financiamento ajudará a mitigar o impacto persistente da pandemia de covid-19 e os efeitos colaterais da guerra na Ucrânia, assim como a reduzir o défice fiscal e a preservar a sustentabilidade da dívida, segundo o FMI.

Além disso, ajudará a proteger grupos vulneráveis e a apoiar uma agenda de reformas que leve a um crescimento mais elevado e mais inclusivo.

Este acordo segue-se ao apoio de emergência do Fundo a Cabo Verde em abril de 2020, ao abrigo da Facilidade de Crédito Rápido que correspondeu a 32,3 milhões de dólares (30,1 milhões de euros) no momento da aprovação.

PVJ // VM

By Impala News / Lusa

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