Credores de Moçambique dizem que reservas chegam para pagar dívida de janeiro

Credores de Moçambique dizem que reservas chegam para pagar dívida de janeiro

Um dos principais conselheiros do grupo de credores de Moçambique considerou hoje que o país deve pagar a prestação de 59,8 milhões de dólares em dívida pública e argumentou que tem capacidade financeira para isso.

Londres, 12 jan (Lusa) – Um dos principais conselheiros do grupo de credores de Moçambique considerou hoje que o país deve pagar a prestação de 59,8 milhões de dólares em dívida pública e argumentou que tem capacidade financeira para isso.


“É no interesse de Moçambique, e dos detentores dos títulos de dívida, que o Governo pague o cupão”, disse Charles Blitzer em declarações citadas na agência de informação financeira Bloomberg, nas quais acrescentou: “Não vejo nenhuma consequência positiva” caso não paguem.


“A situação em Moçambique melhorou desde outubro”, argumentou o antigo responsável do Fundo Monetário Internacional, lembrando que “nos últimos meses a capacidade de pagamento melhorou, já que as taxas de câmbio e as reservas estabilizaram e começaram a melhorar”.


Nas declarações à Bloomberg, Blitzer diz que o mercado “exagerou completamente” na reação à nota de análise da JP Morgan, que considerava “extremamente improvável” o pagamento da prestação de 18 de janeiro sobre a a emissão de dívida pública soberana de Moçambique, feita em abril do ano passado.


“Não há nada oficial que indique que tomaram a decisão de não pagar este cupão”, disse Blitzer. “Nada foi dito durante a apresentação do pedido de reestruturação [em outubro]”, vincou o conselheiro do grupo de credores que detém mais de 60% da dívida pública moçambicana.


“O comité de credores continua aberto para discutir a sua visão e a sua análise sobre vários assuntos, mas as negociações só podem começar depois das várias pré-condições estarem cumpridas”, disse, sem especificar quais, mas referindo-se provavelmente à divulgação da auditoria às finanças públicas que está atualmente a ser feita pela consultora Kroll.


Os juros exigidos pelos investidores para transacionarem estes títulos de dívida conheceram uma subida significativa no seguimento da notícia sobre a análise da JP Morgan, que considerava que a retórica do Governo mostrava que o pagamento de janeiro seria “altamente improvável”.


Hoje, pelas 12:00 de Lisboa, os juros estavam nos 27,8%, ligeiramente abaixo dos 28% a que chegaram na quarta-feira, e que representam o valor mais alto desde a emissão de dívida, em abril de 2016.


O Governo de Moçambique anunciou em outubro a abertura de um processo negocial com os credores para tentar renegociar a dívida pública, e está ao mesmo tempo em negociações com o Fundo Monetário Internacional para o restabelecimento da ajuda técnica e financeira, mas só depois da apresentação pública do relatório de auditoria às dívidas escondidas, que deverá ser conhecido em fevereiro.



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