Covid-19: Moçambique não deverá melhorar o ‘rating’ até final de 2021 – Consultora

A consultora NKC African Economics considerou que nenhuma das agências de notação financeira deverá melhorar o ‘rating’ de Moçambique nos próximos 12 meses devido às difíceis condições económicas agravadas pela pandemia de covid-19.

Covid-19: Moçambique não deverá melhorar o 'rating' até final de 2021 - Consultora

Covid-19: Moçambique não deverá melhorar o ‘rating’ até final de 2021 – Consultora

A consultora NKC African Economics considerou que nenhuma das agências de notação financeira deverá melhorar o ‘rating’ de Moçambique nos próximos 12 meses devido às difíceis condições económicas agravadas pela pandemia de covid-19.

“Não esperamos que nenhuma das principais agências de notação financeira vá subir os seus ratings nos próximos 12 meses devido aos elevados riscos económicos e políticos que provavelmente não vão dissipar-se durante este período”, escrevem os analistas.

Num comentário à manutenção do rating de Moçambique em CCC+ pela Standard & Poor’s (S&P), enviado aos clientes e a que a Lusa teve acesso, os analistas escrevem que “os principais riscos para o país são uma crise prolongada de covid-19 que afete de forma adversa a procura global pelas matérias-primas de Moçambique, bem como uma possível escalada na violência em Cabo Delgado que dificulte mais investimentos no setor do gás natural liquefeito”.

Na sexta-feira, a S&P anunciou que decidiu manter o ‘rating’ de Moçambique em CCC+, abaixo da recomendação de investimento, com Perspetiva de Evolução Estável, devido aos efeitos económicos da pandemia de covid-19.

“O ‘rating’ de CCC+ para a emissão de dívida em moeda estrangeira reflete a nossa visão de que Moçambique depende de condições favoráveis empresariais, financeiras e económicas para cumprir as suas obrigações financeiras”, escrevem os analistas na nota que acompanha a decisão de ‘rating’, divulgada na segunda-feira à noite.

O nível de CCC+ é o terceiro mais baixo na escala da opinião sobre a qualidade do crédito soberano, sendo considerado ‘lixo’ ou ‘junk’ por estar vários níveis abaixo do patamar da recomendação de investimento.

“Apesar de os rácios de crédito serem fracos, esperamos que Moçambique seja capaz de cumprir as suas obrigações nos próximos 12 meses”, apontam os analisas, ressalvando que “o ‘rating’ é prejudicado pelo baixo PIB per capita do país, governação e instituições frágeis, grandes défices externos e orçamentais, e um elevado peso da dívida”, que vai manter-se acima de 100% do PIB até, pelo menos, 2023.

A Perspetiva de Evolução Estável, isto é, a assunção de que o ‘rating’ não deverá ser alterado nos próximos 12 a 18 meses, “equilibra os riscos associados a elevados défices externo e orçamental face à expectativa de uma recuperação económica no próximo ano, sustentada em grandes investimentos na indústria extrativa”, escrevem ainda os analistas.

O número de mortes em África devido à covid-19 nas últimas 24 horas foi de 347, totalizando agora 41.609, enquanto que as infeções subiram para 1.727.837, mais 10.973, segundo dados oficiais.

De acordo com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (África CDC), nos 55 Estados-membros da organização registaram-se 9.572 recuperados, num total de 1.416.100.

Entre os países africanos que têm o português como língua oficial, Angola lidera em número de mortos e Moçambique em número de casos.

Angola regista 270 óbitos e 9.644 casos, seguindo-se Cabo Verde (94 mortos e 8.423 casos), Moçambique (88 mortos e 12.161 casos), Guiné Equatorial (83 mortos e 5.083 casos), Guiné-Bissau (41 mortos e 2.413 casos) e São Tomé e Príncipe (15 mortos e 935 casos).

O primeiro caso de covid-19 em África surgiu no Egito, em 14 de fevereiro, e a Nigéria foi o primeiro país da África subsaariana a registar casos de infeção, em 28 de fevereiro.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 1,1 milhões de mortos e mais de 43 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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By Impala News / Lusa

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